Primeira Parte - Visão do Mal - Capítulo XXXIII
Primeira Parte - Visão do Mal - Capítulo XXXIII
Vi um grilo.
Em sua natureza maléfica, o perverso diabrete, sentindo-se incapaz de produzir maior dano, roçando uma contra a outra base de seus élitros, produz o que lhe chamam canto, e que é um dos pequenos tormentos da humanidade.
Não julgueis que é insignificante o malefício: perturba o sono, gasta a paciência, arranha os ouvidos, ofende os nervos e impede o sossego.
O grilo com o seu canto desagradável, teimoso e importuno, é o tipo desses homens cruéis, estafadores da cortesia alheia, que muitas vezes tomam conta de uma pobre vítima que tem em que se ocupar, e horas inteiras a martirizam com interminável maçada.
Felizmente para mim os grilos são mais frequentes nas assembleias legislativas do que no meu sótão.