Primeira Parte - Visão do Mal - Capítulo XLVI A Luneta Mágica · Capítulo 59 de 112
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Primeira Parte - Visão do Mal - Capítulo XLVI

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A luneta mágica tinha caído no meu colo e eu me abismei nas mais tristes reflexões.

Ainda um desengano, o último! O doutor que fora tão bom, tão leal para comigo, que se me afigurara tão escrupuloso no tratamento da minha moléstia, que com tanto acerto combatera, o médico que usando da sua autoridade proibira que empregassem a menor violência para me arrancarem a minha luneta, esse homem que eu quisera que fosse uma exceção entre os homens, era como os outros e mais do que muitos outros, indigno da minha estima pelo seu ruim caráter.

Os seus escrupulosos cuidados tinham tido por fim demorar a cura para ganhar mais dinheiro!

A defesa da minha luneta fora devida à incredulidade materialista, que o levava até o selvagem extremo de negar a existência do espírito que anima o homem, e de Deus sempiterno e onipotente!

Isso, porém, não me espantou: afligiu-me, aflige-me; mas eu já estava preparado para o desengano cruel; a meu despeito, a despeito dos impulsos da gratidão, eu já desconfiava do médico.

O que me preocupa agora, o que me atormenta é a negridão do meu futuro, e a incerteza terrível dos tormentos que me esperam.

Que será de mim?... que vou eu sofrer?... por que provações vou passar?

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