As Cópias Rivais Religião das Formigas · Capítulo 14 de 36
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As Cópias Rivais

Marga desenhou o primeiro mapa com grãos de terra.

Começou no círculo do rito, seguiu pela raiz principal e marcou o ponto onde Trima deixara o sinal de caminho interrompido. Dali em diante, usou relatos de carregadoras, distâncias medidas por passos e o som da água sob o chão.

Pala observou até Marga fechar a passagem superior com uma pedra escura.

— Você desenhou um caminho.

— É um mapa.

— Desenhou o que uma coluna precisa atravessar. Sumiram as formigas que vivem no meio.

Pala refez o percurso em outra placa. Marcou a câmara das larvas fracas, o depósito de cascas, o ponto onde uma velha coletora dormia e a rachadura pela qual a água antiga subia nos dias úmidos. Em vez de distâncias, registrou corpos.

O mapa de Marga chegava mais rápido ao circuito interno. O de Pala mostrava quem seria pisado para alcançar o destino.

Nima tomou os dois.

— O original fica comigo.

— Qual original? — perguntou Pala.

Nima colocou as placas lado a lado.

— A primeira versão de cada uma.

— Duas primeiras versões que discordam.

— A discordância também ficará sob custódia.

Marga produziu uma cópia estreita, adequada ao corpo de uma batedora. Pala copiou apenas os nomes e os locais de descanso. A cada reprodução, uma passagem desaparecia ou uma presença mudava de posição.

Ogra trouxe notícia de movimento atrás da câmara das larvas.

— Uma guarda ouviu raspagem em três intervalos.

— Três curtos, um longo, dois curtos? — perguntou Marga.

— Dois curtos. Pausa. Um longo.

Pala encostou a antena no chão.

— Pode ser Trima corrigindo o sinal.

— Pode ser escavação — disse Ogra.

Nima autorizou uma incursão de quatro corpos: Marga levaria o mapa de rota; Pala, o mapa de presenças; Rula reconheceria cheiro; Ogra abriria passagem. A capitã recusou receber ordem de Pala.

— Então receba da tábua — disse Nima.

Ela escreveu a sequência dos passos e exigiu a marca de cada integrante. Ogra pressionou a pata com força suficiente para partir a borda da argila.

A entrada ficava atrás de um depósito desativado. Serrilha havia colocado duas raízes cortadas sobre a abertura e declarado o lugar contaminado pelo golpe exterior.

Ogra afastou a primeira. Sob a segunda havia alimento doce.

Rula provou uma partícula.

— Recente.

— Isca? — perguntou Marga.

— Ração de espera.

Pala incluiu o alimento no próprio mapa. Marga pediu que deixasse a descoberta para a volta.

— Se ficarmos, alguém precisa saber por que paramos.

Elas entraram.

A câmara das larvas fracas tinha sido reduzida para abrir um corredor. As cuidadoras apertavam os corpos contra as paredes toda vez que uma guarda atravessava. Pala parou para registrar sete larvas, duas mães e uma cuidadora ferida.

— A rota perde tempo — disse Ogra.

— O tempo já pertence a quem mora aqui.

Marga avançou três passos e voltou. Reposicionou o traço do mapa para evitar o centro da câmara. A mudança obrigaria o grupo a passar pela água antiga.

O chão cedeu até a metade das pernas. A umidade carregava cheiro de ferrugem, fungo morto e passagem recente. Rula encontrou marcas de Trima na parede, cobertas por uma camada fina de barro.

Uma pergunta estava legível: quem responde?

Pala tocou o risco.

— Ela chegou até aqui.

Outra raspagem veio da frente.

Ogra abriu a placa com as mandíbulas. Do outro lado, uma guarda pequena caiu sobre a água. Tinha as patas dianteiras presas por fibra doce e uma marca de alimento no tórax.

Era Etra.

Desde a acusação contra Ogra, seu nome aparecia na lista de turnos e seu corpo, em nenhum posto. A capitã cortou a fibra sem olhar para as outras.

— Quem prendeu você?

Etra tentou levantar.

— Deram comida. Depois disseram que eu já tinha aceitado ficar.

— Quem?

— Bocas diferentes.

A fibra desprendia cheiro do altar e do depósito da mesa. O material circulava pelos dois sistemas. Nenhuma origem podia ser provada ali.

Marga quis recuar com Etra.

Pala ouviu uma batida além da placa seguinte.

— Trima está perto.

Ogra forçou a abertura. Uma grade de raízes separava o corredor de uma sala iluminada por fungo branco. Atrás dela, Trima mantinha a lasca da rainha presa sob o corpo.

Marga aproximou o mapa.

— Encontramos você.

— Encontraram uma grade.

— Vamos abrir.

Trima olhou para as marcas nas patas de Marga e Pala.

— Quantas formigas viraram caminho até aqui?

Pala mostrou o próprio desenho.

— Eu trouxe os nomes.

— Trouxe cópias.

— Diga qual passagem libera a grade.

Trima recuou.

— Quer meu nome ou minha saída?

— Os dois — respondeu Marga.

— Nunca vêm juntos quando uma autoridade desenha o mapa.

Ogra mordeu a primeira raiz. A grade vibrou. Do alto, guardas começaram a bater o chão em aviso.

Trima empurrou a lasca pelas frestas. A borda ficou presa.

— Levem a pergunta de volta.

— Venha com ela — disse Pala.

— Parem de fazer meu sinal apontar caminhos.

Ogra arrancou um fragmento da grade. O teto soltou terra. Etra caiu outra vez. Rula sustentou a guarda ferida e pediu retirada.

Marga procurou no mapa uma segunda saída. O percurso mais curto atravessava a câmara das larvas. A alternativa passava pela água, agora subindo.

— Pela água — decidiu.

Ogra ainda tentou alcançar a lasca.

Trima puxou o objeto para dentro.

— Meu nome basta.

A coluna recuou.

Pala parou na câmara das larvas e pediu passagem em voz alta. As cuidadoras moveram os corpos uma vez, de forma combinada. A incursão atravessou sem pisar em nenhuma cria.

Quando saíram, Etra era o único corpo recuperado.

Nima recebeu os dois mapas, as marcas de água e um fragmento da fibra doce. Quis saber a posição exata de Trima.

Marga apontou uma curva.

Pala indicou outra.

— Vocês estiveram juntas — disse Nima.

— O caminho de entrada levou a um corpo — respondeu Pala. — O caminho de saída precisou proteger outros.

— Preciso de uma rota repetível.

— Então escolha quem pode ser repetidamente usado — disse Marga.

Nima guardou os originais em gavetas distintas. Autorizou cópias para nova tentativa, desde que cada versão trouxesse o nome da cartógrafa e a lista de corpos encontrados no trajeto.

Nere e Tula se aproximaram de Etra. A guarda tinha adormecido perto das pedras, ainda com um pedaço de fibra preso à perna.

Tula cheirou o nó.

— Coleira doce.

Nere repetiu:

— Coleira doce.

As crianças disseram a expressão durante toda a distribuição. No fim do turno, outras formigas já a usavam para alimento oferecido com permanência escondida.

Os mapas rivais não haviam trazido Trima, Sile ou a resposta da rainha. Tinham devolvido uma guarda que faltava às listas e uma palavra capaz de reconhecer a prisão antes que a fibra apertasse.

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