Tarde Na Praia
A Leal de Souza
Quando, à primeira vez, lhe vi a grandeza, Foi nos tempos da longe meninice.
E quedei-me à mudez de quem sentisse A alma de Pasmos e terrores presa.
Depois, na mocidade, a olhá-lo, disse: É moço o mar na força e na beleza!
Mas, ao dia apagado e à noite acesa, Hoje o sinto entre as brumas da velhice.
Distanciado de escarpas e barrancos, Vejo-o a morrer-me aos pés, calmo, ao abrigo Das grandes fúrias e os hostis arrancos.
E ao contemplá-lo assim, tristonho digo, Vendo-lhe, a espuma, os meus cabelos brancos: O velho mar envelheceu comigo!