No Lago De Genesaré
A Leopoldo Guaraná
Homem de pouca fé, por que duvidaste-
MATEUS. C. XIV. V. 31.
- “Nau da Fé! por que em ti, tornas o incenso em fumo-
Por que de um porto bom, para outro porto zarpas-
Nau da Esperança! em ti, já os sonhos não resumo: Teu porto se antolhou de abrolhos e de escarpas!
Desarvorada Nau da Caridade! as harpas Do teu velame já se não ouvem, presumo, Pois as cordas sutis aos vendavais esfarpas E lá segues também sem velas e sem rumo!"
E a humanidade toda, entre queixas e mágoas, Entre as fúrias do mar e a cólera celeste, Fere e apura dos bons a alma em ardentes fráguas.
Mas Cristo despe então o manto que o reveste E diz, ao desdobrá-lo, assim, por sobre as águas: Este manto resume as três naus que perdeste!
NO ANIVERSARIO DE JOSÉ PIRES BRANDÃO
O tempo que envelhece o paço e a choça, Em ti não marca os passos da velhice, Com que carinhos ele te remoça
Numa alegre e perpétua meninice.
A bondade imortal que a alma te adoça
Dá-te um cunho infantil, e essa meiguice Que é nosso encanto, que é ventura nossa, Chora entre risos e, entre prantos, ri-se.
Se no espírito tens a madureza
E no caráter tens a anciã virtude
Dos remotos varões da sã nobreza:
Quem de ti se aproxima não se ilude: No coração plantou-te a natureza
O viço em flor da eterna juventude.