No Lago De Genesaré Últimas Rimas · Capítulo 19 de 49
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No Lago De Genesaré

A Leopoldo Guaraná

Homem de pouca fé, por que duvidaste-

MATEUS. C. XIV. V. 31.

- “Nau da Fé! por que em ti, tornas o incenso em fumo-

Por que de um porto bom, para outro porto zarpas-

Nau da Esperança! em ti, já os sonhos não resumo: Teu porto se antolhou de abrolhos e de escarpas!

Desarvorada Nau da Caridade! as harpas Do teu velame já se não ouvem, presumo, Pois as cordas sutis aos vendavais esfarpas E lá segues também sem velas e sem rumo!"

E a humanidade toda, entre queixas e mágoas, Entre as fúrias do mar e a cólera celeste, Fere e apura dos bons a alma em ardentes fráguas.

Mas Cristo despe então o manto que o reveste E diz, ao desdobrá-lo, assim, por sobre as águas: Este manto resume as três naus que perdeste!

NO ANIVERSARIO DE JOSÉ PIRES BRANDÃO

O tempo que envelhece o paço e a choça, Em ti não marca os passos da velhice, Com que carinhos ele te remoça

Numa alegre e perpétua meninice.

A bondade imortal que a alma te adoça

Dá-te um cunho infantil, e essa meiguice Que é nosso encanto, que é ventura nossa, Chora entre risos e, entre prantos, ri-se.

Se no espírito tens a madureza

E no caráter tens a anciã virtude

Dos remotos varões da sã nobreza:

Quem de ti se aproxima não se ilude: No coração plantou-te a natureza

O viço em flor da eterna juventude.

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