Alma Tediosa Últimas Rimas · Capítulo 23 de 49
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Alma Tediosa

A Souza Costa

Quando o tédio nos tira até a melancolia, Quando nos tira a dor, o prazer, a surpresa, A alma se nos confrange e, pela treva fria, Como ao clarão do sol, é a mesma a natureza.

Não n'a escurece a noite e à luz não irradia, Não tem linha, nem cor, nem forma, nem beleza; É sem aroma o odor, sem música e harmonia: Não ouve, aspira ou vê quem dele é a inerte presa.

É o cansaço- Talvez. Mas talvez não n'o seja Mais do que não poder sentir esses cansaços De trabalhar em prol do que mais se deseja.

Arte ingrata! Arte hostil! Em vão meus versos lassos Busco em ti refazer renovando a peleja Para amar-te, cingir-te e vencer-te em meus braços!

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