Antero
A Félix Pacheco
Eu quisera saber em que horrendo limite, Em que fronteira atroz, em que raia do mundo, Está o ponto ante o qual, sem que a tortura o agite, O teu gênio se esvai como um Deus moribundo.
Senti-te crente um dia. Indeciso senti-te E, afinal, te senti como quem busca o fundo Das coisas e obedece a um sinistro convite, Da descrença imergir no pélago iracundo.
Não inspiras temor, mas não há quem te vença.
Por orgulho, és humilde e, na humildade, és forte.
Na imensa revolta e és a piedade imensa.
Morte, amor, crença ou vida, a quem quer que te exorte, Dizes: Sou mais que a vida e sou menos que a Crença; Muito maior que o Amor, pouco menor que a Morte.