A Morte Da Torre
A Coelho Neto
Vetusta catedral que, ao tempo, te esborcinas, Choras a torre audaz que aos céus erguendo a agulha Os mysterios e os bens de que a igreja se orgulha, Do alto mostrava aos fiéis, nas sonoras matinas.
Já, de ti, longe vão as práticas divinas Com que davas ao incréu a sagrada fagulha E inda julgas ouvi-la em fragorosa bulha, A oscilar no teu flanco e a desfazer-se em ruínas.
Abateste, eu me lembro, à tarde, de repente, Doirando, no clarão de um último arrebol, O pó que te envolveu sutil e refulgente!
Torre morta! Afinal, do orgulho, no crisol, Tombaste amortalhada, ampla e gloriosamente, No purpúreo esplendor da agonia do sol!