Corvo - II
Ó se o recordo, e bem! numa invernia brava, O ríspido e glacial Dezembro decorria
E, da lareira ao chão, cada brasa lançava O supremo fulgor da sua lenta agonia.
E eu a esperar, em vão, a aurora que tardava Queria, em vão, achar nessa velha teoria Contida no volume antigo que estudava, Um consolo sequer à dor que me pungia.
Em vão! consolo, em vão! à minha dor profunda Em vão! repouso, em vão! à alma que se me inunda Desta imortal saudade aos prantos imortais.
Porque jamais se esquece, alma consoladora Como essa que nos céus é chamada Eleonora, Nome que nunca mais ouvirei, nunca mais!