Tédio Hibernal Últimas Rimas · Capítulo 30 de 49
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Tédio Hibernal

A Augusto Maia

E morrerei sem nunca ter vivido.

Adelino Fontoura

Vida, não tens os ódios nem a estima De quem o gozo teu não desconhece.

Conhecendo, entretanto, a farta messe De dissabores que o teu seio anima.

Do mal abaixo e da bondade acima

Esta se alteia quando aquele desce, E, muda a voz, sem pragas e sem prece, Não há quem, alto, tal estado exprima.

Lago velado por neblinas densas,

A luz do sol e ao luar sempre escondido, Noss'alma, em nada crê, nem tem descrenças.

E ó morte! eu te desejo convencido E orgulhoso do bem que me dispensas, Na glória de morrer sem ter vivido!...

NO FESTIVAL A LUIZ PEREIRA BARRETO

Ninguém glória tamanha e tão segura Pode gozar antecipadamente,

Como tu, cuja vida excelsa e pura, É uma área trajetória surpreendente.

Dos teus cabelos sobre a casta alvura Bailam, cantando, as bênçãos do presente, Anteabençoando a irradiação futura De teu trabalho e teu esforço ingente.

Vences o tempo. De ti foge a idade E a velhice te cobre com clemência, Qual se foras a. eterna mocidade!

Vai e difunde a universal essência Sagrada sentinela da verdade,

Maravilhoso apóstolo da ciência!

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