Tédio Hibernal
A Augusto Maia
E morrerei sem nunca ter vivido.
Adelino Fontoura
Vida, não tens os ódios nem a estima De quem o gozo teu não desconhece.
Conhecendo, entretanto, a farta messe De dissabores que o teu seio anima.
Do mal abaixo e da bondade acima
Esta se alteia quando aquele desce, E, muda a voz, sem pragas e sem prece, Não há quem, alto, tal estado exprima.
Lago velado por neblinas densas,
A luz do sol e ao luar sempre escondido, Noss'alma, em nada crê, nem tem descrenças.
E ó morte! eu te desejo convencido E orgulhoso do bem que me dispensas, Na glória de morrer sem ter vivido!...
NO FESTIVAL A LUIZ PEREIRA BARRETO
Ninguém glória tamanha e tão segura Pode gozar antecipadamente,
Como tu, cuja vida excelsa e pura, É uma área trajetória surpreendente.
Dos teus cabelos sobre a casta alvura Bailam, cantando, as bênçãos do presente, Anteabençoando a irradiação futura De teu trabalho e teu esforço ingente.
Vences o tempo. De ti foge a idade E a velhice te cobre com clemência, Qual se foras a. eterna mocidade!
Vai e difunde a universal essência Sagrada sentinela da verdade,
Maravilhoso apóstolo da ciência!