Numa Lápide Últimas Rimas · Capítulo 32 de 49
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Numa Lápide

Qual se teu filho fora eu me acabrunho E, de mágoa, a falar-te mal me atrevo.

Aceita, entanto, o humilde testemunho Do quanto foste meu sagrado enlevo.

Fosse-me dado, de cinzel em punho

Talhar o liso mármore em relevo,

E eu daria da pedra o eterno cunho, Às estrofes que em pranto e sangue escrevo.

Sei que não cabem nestes sons dispersos, O pranto em que esta angústia não se acalma, E o sangue em que tais sons morrem imersos.

Não cabe dentro de votiva palma

Nem na estreiteza de mesquinhos versos, O infinito de dor que tenho n'alma!...

NA ÚLTIMA PÁGINA DE UM ÁLBUM

Deste álbum, se até aqui, senhora minha, Chegar o vosso olhar, tende piedade De quem do fim da vida se avizinha Nuns derradeiros versos de saudade.

Saudade, não da vida árdua e mesquinha Que atravessei desde a primeira idade, Porém do tempo em que o meu verso tinha O audacioso vigor da mocidade.

Ai, nesse tempo, os vossos dons divinos, Em vez de versos trôpegos e mancos, Teriam senhoriais alexandrinos.

Hoje a musa caduca em vãos arrancos, Anda como eu, exausta, aos desatinos, Toda coberta de cabelos brancos.

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