Corvo - XV
Pássaro ou Satanás, ave de profecia, Sejas ave ou Satã, sempre hás de ser profeta!
Venhas do teu inferno ou da brava invernia Que náufrago te fez, acalma esta alma inquieta.
Já que a noite exigiu, no vôo que te guia, Que caísses aqui, onde a angústia secreta, Onde o secreto horror tem teto ou moradia, Do pouco que disseste o sentido completa!
Diz-me, por quem és, se neste mundo triste, Existe algum repouso, algum consolo existe Para estes meus cruéis, sofrimentos mortais!
Existe esse mendaz bálsamo da Judéia Que, da saudade, a dor nos arranca da idéia-
E o corvo, inda outra vez, repetiu: Nunca mais!