Corvo - XIV
Sinto assim a envolver-me uma nuvem de incenso, Solta de um incensório oculto que pendia Das invisíveis mãos de anjos que em coro extenso, Revoavam roçagando a ampla tapeçaria.
Haurindo o ar aromado e, de bálsamo, denso, De mim para mim mesmo exclamo em gritaria: Infeliz! Infeliz! Um Deus piedoso e imenso, Pelos anjos te manda o repouso e a alegria!
Do nepentes é o sumo! Ei-Io, bebe-o! Ei-lo, esquece!
Ele é a seara do bem, do esquecimento a messe!
Nele ouvirás a voz dos gozos celestiais!
É o nepentes ideal que Deus te manda agora!
Bebe-o! Bebe-o olvidando a tua morta Eleonora!
E o corvo crocitou de novo: -Nunca mais!