Corvo - XIV Últimas Rimas · Capítulo 45 de 49
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Corvo - XIV

Sinto assim a envolver-me uma nuvem de incenso, Solta de um incensório oculto que pendia Das invisíveis mãos de anjos que em coro extenso, Revoavam roçagando a ampla tapeçaria.

Haurindo o ar aromado e, de bálsamo, denso, De mim para mim mesmo exclamo em gritaria: Infeliz! Infeliz! Um Deus piedoso e imenso, Pelos anjos te manda o repouso e a alegria!

Do nepentes é o sumo! Ei-Io, bebe-o! Ei-lo, esquece!

Ele é a seara do bem, do esquecimento a messe!

Nele ouvirás a voz dos gozos celestiais!

É o nepentes ideal que Deus te manda agora!

Bebe-o! Bebe-o olvidando a tua morta Eleonora!

E o corvo crocitou de novo: -Nunca mais!

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