A Um Possesso - III
Ninguém lhe sabe o nome e não há quem a origem Lhe possa descobrir. Ele é o mistério errante.
São de um deus sem Olimpo as mágoas que o afligem Dia a dia, hora em hora, instante por instante.
É que de instante a instante, aloucado, à vertigem De achar baixa e mesquinha a vida circundante, Não compreende o infeliz que as forças que o dirigem São as que lhe detêm o passo para diante.
Torce-lhe a inveja o olhar. Envesga-lho a infecunda Vontade de galgar sobre alheios escombros.
Deixa entrever a injúria e a calúnia secunda.
Na idade varonil dos grandes desassombros, Ele aí vai carregando, a esmagar-lhe a corcunda, Todo o Humano Rancor sobre os míseros ombros!