Corvo - III
Ante o vago oscilar, indefinido e brando, Das cortinas que o vento, ao leve, sacudia, Ia-me o coração sinistramente entrando O sombrio terror da noite erma e sombria.
Um tétrico pavor que então desconhecia E que me estrangulava o peito miserando, A alma, sem compaixão, de dúvidas me enchia E pouco a pouco foi meu ser avassalando.
Enfim, para volver à ambicionada calma E a coragem, de novo, amparar-se-me d'alma, Repetia a mim mesmo estas palavras tais-
"Nada mais é talvez, que retarda visita Que vem da noite em fora e entrada solicita!
É visita que vem, por certo, nada mais!"