Corvo - I Últimas Rimas · Capítulo 34 de 49
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Corvo - I

(Edgar Poe)

À memória de Machado de Assis

O inexcedido e inexcedível tradutor do genial poema de Edgar Poe, consagro esta pálida paráfrase que em nada se aproxima e jamais pretendeu aproximar-se da imorredoura tradução feita pelo Mestre dos Mestres.

Emílio de Menezes

Desta amarga existência em certo, amargo dia, A hora da meia noite, augural e profana.

Eu, de velha doutrina, as páginas relia Curvo ao peso do sono e da fadiga insana.

Mal do meu pensamento a direção seguia Por essa hora de horror em que da treva emana Toda em funda hediondez, desoladora e fria, Da atra recordação, a atra saudade humana.

Foi assim que senti, do meu triste aposento, Como um leve sussurro a passar, lento e lento, E uma leve pancada a bater nos umbrais.

Disse comigo: é alguém que pela noite fora, Vem, retarda visita, e retarda-se agora...

A bater mansamente à porta, nada mais!...

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