Corvo - XVIII Últimas Rimas · Capítulo 49 de 49
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Corvo - XVIII

E o corvo permanece em perpétua estadia, Sinistro a repousar, do mármore, à brancura.

Quem o contempla assim pela verdade jura Que algum sonho feroz seu aspecto anuncia.

É um demônio a sonhar sonhos que o inferno cria E que lhe enrijam mais a rija catadura, Talo fulgor do olhar que os olhos lhe alumia E com que a própria sombra ele sondar procura.

Essa sombra que a luz da lâmpada suspensa Faz refletir no chão, qual atra nuvem densa, No mesmo chão negreja em linhas sepulcrais: E desse âmbito negro, esse âmbito de sombra, Minha alma que da dor da saudade se assombra, Nunca mais sairá! Nunca mais! Nunca mais!

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