Corvo - IV Últimas Rimas · Capítulo 37 de 49
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Corvo - IV

A calma que até aí do peito me fugia Voltou de novo ao peito e, à coragem primeira, Não mais vacilações, não mais mente erradia!

Ao estranho rumor falo desta maneira:

"Como nesta ocasião o sono me prendia E a pancada foi tal, tão leve e tão ligeira, Que presto não corri; perdoai-me esta ousadia Dama ou senhor que estais da minha porta à ombreira."

Tão receosamente e vagarosamente

Batestes, que não fui receber-vos contente, Como hóspede que sois e à minha porta estais.

E assim falando e olhando, escancarei a porta, Mas só encontrei naquela hora adiantada e morta.

Treva! Treva somente! A treva e nada mais!

V

Cravo os olhos na treva e longamente a escruto, E a treva é muda e é muda a própria ventania, E longo tempo assim com o próprio medo luto, De dúvida e terror povoando a fantasia.

Sonhos que outro mortal, como eu nunca ousaria Sonhar, me vêm num bando esmagador e bruto.

Profunda calma aquieta a quieta calmaria Imóvel é o silêncio e s6 o silêncio escuto!...

A única voz humana, o único som ouvido, É este nome, em surdina e, a medo, proferido; É este nome que encerra os meus mortos ideais.

Sou eu quem o profere, eu que o trago na mente, E um eco a repercutir, repete-o vagamente:

"Eleonora! Eleonora!" É isto e nada mais!

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