Sol De Outono
Declínio augusto de uma mocidade,
Tarde melhor que esplêndida manhã, Fruto supremo na maturidade
E alma da carne sazonada e sã;
Argirócomo tronco, inda te invade
Juvenilmente, sápida e louçã,
A seiva forte em toda intensidade
Do sangue de imortal deusa pagã!
Nada te abate o orgulho da beleza, Pois tens, dentro de ti, o áureo fulgor Do Belo, eterno como a Natureza!
A arte emprestou-te o mágico vigor Da forma que persiste, altiva e ilesa, A rir da Morte e a perpetuar o Amor.