A Um Possesso - V Últimas Rimas · Capítulo 29 de 49
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A Um Possesso - V

Passas. Ouço o rugir do vento que te leva.

Quando, da Arte, me ajoelho ao místico delubro, Tu vens, lúbrico harfango a crocitar na treva.

E o tarado eu diviso, o impotente eu descubro.

Alimenta-te a inveja. O despeito te ceva.

O ódio deu-te a voz rouca e deu-te esse olhar rubro, Esse único clarão que do teu ser se eleva E que eu, do meu orgulho, ao régio manto encubro.

Anda! Beija-me aos pés a clâmide inconsútil.

Eu, piedoso, ta estendo ao desespero inerme.

Tu não és venenoso, o teu esforço é inútil.

O teu dente sutil não me passa a epiderme, Ó fonte do banal, ó vertente do fútil!

Larva, tens o perdão. Tens a piedade, verme!

SOBRE O TÚMULO DE UMA MÃE

Se alguém compreende a mágoa que te oprime Não n'a compreende mais do que a compreendo.

Mágoa que o pranto, às vezes, não n'a exprime Mas que num riso, às vezes, se está vendo!...

Deixa, porém, que paire a alma sublime Daquela santa sobre o mundo horrendo!

Que ela te ampare contra o mal e o crime, Ao teu futuro bênçãos estendendo.

Vejo-te a rir, amigo, mas no brilho Do teu olhar eu leio todo o inferno Do teu celeste coração de filho!

Ri comigo! Eu também num riso eterno Sigo da vida o doloroso trilho,

Sem o guia imortal do amor materno!

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