Corvo - VIII
A este pássaro audaz, de ébano a cor das penas, Grave na compostura e na fisionomia, Que ao cérebro me dava idéias mais serenas, Que me acalmava o peito, e a sorrir me induzia.
Voltando-me disse eu: "Tu que te não encenas De altas cristas ou poupa à negra frontaria, Velho corvo feral que te mostras apenas, Certo, não és o vil núncio da covardia.
Corvo! antigo viajor que das regiões da noite Partiste a procurar um teto que te acoite, Dize-me tu quais são teus títulos reais!
Qual a pátria ante a qual teu orgulho se ufana-
Quais as tuas regiões na noite plutoniana-...
E o corvo senhorial respondeu: "Nunca mais!..."