A Alberto Nepomuceno Últimas Rimas · Capítulo 16 de 49
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A Alberto Nepomuceno

Mestre irmão, mestre pai, mestre modelo!

Se do teu gênio a alma dos sons esvoaça, No prematuro alvor do teu cabelo

Fulge a bondade que te coube em graça.

Nunca cedeste ao rancoroso apelo

Dos ódios torvos ou da inveja baça.

Se da Arte trazes o divino selo,

Toda a humana piedade em ti se enlaça.

A emoção que nesta hora nos invade Não leva o cunho de mentidas dores.

E a expressão quase muda da verdade.

A nossa gratidão, para onde fores, Levas contigo e deixas a saudade:

Sais coberto de lágrimas e flores.

AO "PARAÍBA"

Quando te vejo o deslizar das águas Claras, serenas como os bons momentos De amor que correm plácidos e lentos, Vão rolando contigo as minhas mágoas.

Mas quando as vejo em torvelins violentos, Torvas e turvas a raivar nas fráguas, Extingo as chamas da alegria, apago-as: Rolam contigo os meus contentamentos.

É que sobre mim mesmo não exerço

Força contrária à tua, a mim ligada Qual se liga a áurea rima a um verso terso.

E essa força, que é tudo, vem de um nada: Às tuas margens balouçou-se o berço Da criatura eternamente amada!...

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