A Alberto Nepomuceno
Mestre irmão, mestre pai, mestre modelo!
Se do teu gênio a alma dos sons esvoaça, No prematuro alvor do teu cabelo
Fulge a bondade que te coube em graça.
Nunca cedeste ao rancoroso apelo
Dos ódios torvos ou da inveja baça.
Se da Arte trazes o divino selo,
Toda a humana piedade em ti se enlaça.
A emoção que nesta hora nos invade Não leva o cunho de mentidas dores.
E a expressão quase muda da verdade.
A nossa gratidão, para onde fores, Levas contigo e deixas a saudade:
Sais coberto de lágrimas e flores.
AO "PARAÍBA"
Quando te vejo o deslizar das águas Claras, serenas como os bons momentos De amor que correm plácidos e lentos, Vão rolando contigo as minhas mágoas.
Mas quando as vejo em torvelins violentos, Torvas e turvas a raivar nas fráguas, Extingo as chamas da alegria, apago-as: Rolam contigo os meus contentamentos.
É que sobre mim mesmo não exerço
Força contrária à tua, a mim ligada Qual se liga a áurea rima a um verso terso.
E essa força, que é tudo, vem de um nada: Às tuas margens balouçou-se o berço Da criatura eternamente amada!...