Corvo - XVI
Profeta ou Satanás, negro ser da desgraça!
Profeta sempre atroz de negra profecia, Pelo azul deste céu que sobre nós se espaça, Pelo Deus, todo luz, que em ambos nós radia, Dize a esta alma sem luz e de dúvidas baça, Baça de incertidão e de melancolia: Ser-lhe-á dado abraçar o anjo que entre anjos passa, E de cujo esplendor hoje o céu se atavia-
Ser-lhe-á dado abraçar a virgem pura e santa, Virgem casta e piedosa e que os anjos encanta Com seus gestos de encanto e encantos virginais-
Ser-lhe-á dado abraçar; oh! dize-o sem demora, A rútila, a radiosa, a radiante Eleonora-
E o corvo rouquejou, roufenho: Nunca mais!