Hibiscus Mutabilis Últimas Rimas · Capítulo 14 de 49
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Hibiscus Mutabilis

A Henrique Venceslau

Logo ao alvorecer, a corola contracta, Ela, a um raio de luz que em claridade a inunda, Abre timidamente, esquiva e pudibunda, Alva como o aflorar da espuma na cascata.

Meio dia. Ao calor que sensual a circunda, Cora, cora inda mais, em ânsias, timorata, Ruboriza-se, enfim, e não mais se recata.

É a seiva, é o sangue, é o sol, é a vida! Ei-la fecunda!

Desce a tarde. É a exaustão. É o delíquio. Fenece.

Volve a empalidecer, mas iá não irradia No primitivo albor de hóstia ou de uma alma em prece.

É o amarelecer da cera e da agonia.

É o desmaiar de quem a glória e a dor conhece, De ser virgem, ser mãe e morrer num só dia!

RESPOSTA A OLAVO BILAC

E, heróico estalará, num final, nos clamores Dos arcos, dos metais, das cordas, dos tambores, Para glorificar tudo que. amou na terra!

Olavo Bilac

Para glorificar o que amaste na terra De forma que ela, assim, futuro em fora, o assista No seu teatro de amor, de orgulho ou de conquista, Basta o que há no teu estro e entre os teus versos erra.

Para ela o orgulho ter do que em seu seio encerra, Não precisa estalar teu coração de artista Na alta instrumentação, na estranha orquestra mista, De cordas e metais e tambores de guerra.

Ele, o teu coração, fibra a fibra, ressoando Na augusta vibração em que o gênio delira, Perpetuará melhor o que amaste cantando, Nesse único instrumento em que a paixão suspira Ou ruge num clangor tremendo e formidando: Tua Humana e Divina e Imorredoura Lira!...

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