Hibiscus Mutabilis
A Henrique Venceslau
Logo ao alvorecer, a corola contracta, Ela, a um raio de luz que em claridade a inunda, Abre timidamente, esquiva e pudibunda, Alva como o aflorar da espuma na cascata.
Meio dia. Ao calor que sensual a circunda, Cora, cora inda mais, em ânsias, timorata, Ruboriza-se, enfim, e não mais se recata.
É a seiva, é o sangue, é o sol, é a vida! Ei-la fecunda!
Desce a tarde. É a exaustão. É o delíquio. Fenece.
Volve a empalidecer, mas iá não irradia No primitivo albor de hóstia ou de uma alma em prece.
É o amarelecer da cera e da agonia.
É o desmaiar de quem a glória e a dor conhece, De ser virgem, ser mãe e morrer num só dia!
RESPOSTA A OLAVO BILAC
E, heróico estalará, num final, nos clamores Dos arcos, dos metais, das cordas, dos tambores, Para glorificar tudo que. amou na terra!
Olavo Bilac
Para glorificar o que amaste na terra De forma que ela, assim, futuro em fora, o assista No seu teatro de amor, de orgulho ou de conquista, Basta o que há no teu estro e entre os teus versos erra.
Para ela o orgulho ter do que em seu seio encerra, Não precisa estalar teu coração de artista Na alta instrumentação, na estranha orquestra mista, De cordas e metais e tambores de guerra.
Ele, o teu coração, fibra a fibra, ressoando Na augusta vibração em que o gênio delira, Perpetuará melhor o que amaste cantando, Nesse único instrumento em que a paixão suspira Ou ruge num clangor tremendo e formidando: Tua Humana e Divina e Imorredoura Lira!...