Capítulo I: Bloco 1 O Direito à Preguiça: Tradução Literunico · Capítulo 32 de 37
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Capítulo I: Bloco 1

Uma estranha loucura possui as classes operárias das nações em que reina a civilização capitalista.

Essa loucura arrasta consigo as misérias individuais e sociais que, há dois séculos, torturam a triste humanidade.

Essa loucura é o amor ao trabalho: a paixão furiosa pelo trabalho, levada até o esgotamento das forças vitais do indivíduo e de sua descendência.

Em lugar de reagir contra essa aberração mental, os padres, os economistas e os moralistas sacralizaram o trabalho.

Homens cegos e limitados, quiseram ser mais sábios que seu Deus. Homens fracos e desprezíveis, quiseram reabilitar aquilo que seu Deus havia amaldiçoado.

Eu, que não professo ser cristão, economista nem moralista, apelo do julgamento deles ao julgamento de seu Deus; das pregações de sua moral religiosa, econômica e livre-pensadora, apelo às consequências espantosas do trabalho na sociedade capitalista.

Na sociedade capitalista, o trabalho é a causa de toda degeneração intelectual e de toda deformação orgânica.

Compare-se o puro-sangue das cocheiras de Rothschild, servido por uma criadagem de bímanos, à pesada besta das fazendas normandas que lavra a terra, carrega o estrume e recolhe a colheita.

Olhe-se para o nobre selvagem que os missionários do comércio e os comerciantes da religião ainda não corromperam com o cristianismo, a sífilis e o dogma do trabalho; depois olhem-se nossos miseráveis servos das máquinas.

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