Capítulo III: Bloco 5
Eis alguns números que provam quão colossal é essa perda de forças produtivas. Segundo o censo de 1861, a população da Inglaterra e do País de Gales compreendia 20.066.244 pessoas, das quais 9.776.259 do sexo masculino e 10.289.965 do sexo feminino. Se se deduz o que é velho demais ou jovem demais para trabalhar, as mulheres, os adolescentes e as crianças improdutivas, depois as profissões _ideológicas_, como governantes, polícia, clero, magistratura, exército, prostituição, artes, ciências etc., em seguida as pessoas exclusivamente ocupadas em comer o trabalho alheio sob forma de renda fundiária, juro, dividendos etc., restam, em números redondos, oito milhões de indivíduos dos dois sexos e de todas as idades, incluídos os capitalistas que funcionam na produção, no comércio, na finança etc. Desses oito milhões, contam-se:
| Categoria | Pessoas | | --- | ---: | | Trabalhadores agrícolas, incluídos os pastores, os criados e as moças de fazenda que habitam com os fazendeiros | 1.098.261 | | Operários das fábricas de algodão, lã, cânhamo, linho, seda e malharia | 642.607 | | Operários das minas de carvão e de metal | 565.835 | | Operários metalúrgicos, altos-fornos, laminadores etc. | 396.998 | | Classe doméstica | 1.208.648 |
“Se somamos os trabalhadores das fábricas têxteis e os das minas de carvão e de metal, obtemos a cifra de 1.208.442, se somamos os primeiros e os de todas as usinas metalúrgicas, temos um total de 1.039.605 pessoas, isto é, em cada caso um número menor que o dos escravos domésticos modernos. Eis o magnífico resultado da exploração capitalista das máquinas[15].” A toda essa classe doméstica, cuja grandeza indica o grau atingido pela civilização capitalista, é preciso acrescentar a classe numerosa dos infelizes votados exclusivamente à satisfação dos gostos dispendiosos e fúteis das classes ricas: lapidários de diamantes, rendeiras, bordadeiras, encadernadores de luxo, costureiras de luxo, decoradores das casas de recreio etc.[16]
[15] Karl Marx, _O Capital_.
[16] “A proporção segundo a qual a população de um país é empregada como doméstica, a serviço das classes abastadas, indica seu progresso em riqueza nacional e em civilização.” R. M. Martin, _Ireland before and after the Union_, 1848. Gambetta, que negava a questão social desde que deixara de ser o advogado necessitado do Café Procope, queria sem dúvida falar dessa classe doméstica sem cessar crescente quando reclamava o advento dos novos estratos sociais.