Capítulo III: Bloco 17 O Direito à Preguiça: Tradução Literunico · Capítulo 25 de 37
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Capítulo III: Bloco 17

Na barraca, começará a _Farsa eleitoral_. Diante de eleitores de cabeça de madeira e orelhas de burro, os candidatos burgueses, vestidos de palhaço, dançarão a dança das liberdades políticas, limpando a face e a pós-face com seus programas eleitorais de múltiplas promessas, e falando com lágrimas nos olhos das misérias do povo e com cobre na voz das glórias da França, e as cabeças dos eleitores zurrarão em coro e com solidez, hi han! hi han!

Depois começará a grande peça: _O roubo dos bens da Nação_. A França capitalista, enorme fêmea, peluda no rosto e calva no crânio, abatida, de carnes flácidas, inchadas, esbranquiçadas, olhos apagados, sonolenta e bocejante, estende-se sobre um canapé de veludo, a seus pés, o Capitalismo industrial, gigantesco organismo de ferro, com máscara simiesca, devora mecanicamente homens, mulheres e crianças cujos gritos lúgubres e dilacerantes enchem o ar, o Banco, com focinho de fuinha, corpo de hiena e mãos de harpias, furta-lhe rapidamente as moedas de cem soldos do bolso. Hordas de miseráveis proletários descarnados, em farrapos, escoltados por gendarmes de sabre claro, perseguidos por fúrias que os açoitam com os chicotes da fome, trazem aos pés da França capitalista montes de mercadorias, barricas de vinho, sacos de ouro e de trigo. Langlois, a calça numa mão, o testamento de Proudhon na outra, o livro do orçamento entre os dentes, posta-se à frente dos defensores dos bens da nação e monta guarda. Depositados os fardos, a golpes de coronha e baioneta fazem expulsar os operários e abrem a porta aos industriais, aos comerciantes e aos banqueiros. Aos tropeções e misturados, precipitam-se sobre o monte, engolindo panos de algodão, sacos de trigo, lingotes de ouro, esvaziando barricas, já sem poder mais, sujos, repugnantes, desabam em suas imundícies e seus vômitos... Então o trovão estoura, a terra treme e se entreabre, a Fatalidade histórica surge, com seu pé de ferro esmaga as cabeças daqueles que soluçam, cambaleiam, caem e já não podem fugir, e com sua larga mão derruba a França capitalista, atônita e suando de medo.

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