Apêndice: Bloco 2 O Direito à Preguiça: Tradução Literunico · Capítulo 28 de 37
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Apêndice: Bloco 2

Os romanos conheciam apenas dois ofícios nobres e livres, a agricultura e as armas, todos os cidadãos viviam por direito às expensas do Tesouro, sem poder ser constrangidos a prover sua subsistência por alguma das _sordidæ artes_, como designavam os ofícios, que pertenciam por direito aos escravos. Bruto, o antigo, para levantar o povo, acusou sobretudo Tarquínio, o tirano, de ter feito artesãos e pedreiros com cidadãos livres[25].

[25] Tito Lívio, Livro I.

Os filósofos antigos discutiam sobre a origem das ideias, porém caíam de acordo quando se tratava de abominar o trabalho. “A natureza”, diz Platão em sua utopia social, em sua república modelo, “a natureza não fez sapateiro nem ferreiro, ocupações semelhantes degradam as pessoas que as exercem, vis mercenários, miseráveis sem nome, excluídos por sua própria condição dos direitos políticos. Quanto aos mercadores acostumados a mentir e enganar, serão tolerados na cidade apenas como um mal necessário. O cidadão que se tiver aviltado pelo comércio de loja será processado por esse delito. Se for condenado, será sentenciado a um ano de prisão. A punição será dobrada a cada reincidência[26].”

[26] Platão, _República_, Livro V.

Em seu _Econômico_, Xenofonte escreve: “As pessoas que se entregam aos trabalhos manuais jamais são elevadas aos cargos, e há muita razão nisso. A maioria, condenada a ficar sentada o dia inteiro, algumas até a suportar um fogo contínuo, não podem deixar de ter o corpo alterado, e é bem difícil que o espírito não se ressinta disso.” “Que pode sair de honroso de uma loja?”, professa Cícero, “e o que o comércio pode produzir de honesto? Tudo que se chama loja é indigno de um homem honesto... os mercadores não podem ganhar sem mentir, e que há de mais vergonhoso que a mentira? Portanto, deve-se considerar como algo baixo e vil o ofício de todos aqueles que vendem sua pena e sua indústria, pois quem dá seu trabalho por dinheiro vende a si mesmo e se põe na classe dos escravos[27].”

[27] Cícero, _Dos deveres_, I, título II, capítulo XLII.

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