Capítulo II: Bloco 2 O Direito à Preguiça: Tradução Literunico · Capítulo 37 de 37
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Capítulo II: Bloco 2

Como ultrapassamos esse limite máximo! As oficinas modernas tornaram-se casas ideais de correção, onde se encarceram as massas operárias e se condena ao trabalho forçado por doze e quatorze horas homens, mulheres e crianças. E dizer que os filhos dos heróis do Terror deixaram-se degradar pela religião do trabalho a ponto de aceitar, depois de 1848, como conquista revolucionária, a lei que limitava a doze horas o trabalho nas fábricas. Proclamavam, como princípio revolucionário, o direito ao trabalho.

Vergonha ao proletariado francês! Só escravos teriam sido capazes de tamanha baixeza. Um grego dos tempos antigos precisaria de vinte anos de civilização capitalista para conceber tal aviltamento. No primeiro Congresso de Beneficência realizado em Bruxelas, em 1857, um dos mais ricos manufatureiros de Marquette, perto de Lille, M. Scrive, sob aplausos dos membros do congresso, contava com a mais nobre satisfação do dever cumprido: “Introduzimos alguns meios de distração para as crianças. Ensinamos a cantar durante o trabalho, e também a contar trabalhando. Isso as distrai e as faz aceitar com coragem essas doze horas de trabalho necessárias para lhes proporcionar meios de existência.” Doze horas de trabalho, e que trabalho, impostas a crianças que ainda não tinham doze anos. Os materialistas sempre lamentarão que não exista um inferno onde se pudesse cravar esses cristãos, esses filantropos, carrascos da infância. E se as dores do trabalho forçado, se as torturas da fome se abateram sobre o proletariado, mais numerosas que os gafanhotos da Bíblia, foi ele quem as chamou.

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