Capítulo III: Bloco 12
Ah! como papagaios de Arcádia, repetem a lição dos economistas: “Trabalhemos, trabalhemos para aumentar a riqueza nacional.” Ó idiotas! é porque trabalhais demais que o aparelhamento industrial se desenvolve lentamente. Parai de zurrar e escutai um economista, ele não chega a ser águia, é apenas o senhor L. Reybaud, que tivemos a felicidade de perder há alguns meses: “É em geral pelas condições da mão de obra que se regula a revolução nos métodos de trabalho. Enquanto a mão de obra fornece seus serviços a baixo preço, esbanja-se essa força, procura-se poupá-la quando seus serviços se tornam mais caros[20].” Para forçar os capitalistas a aperfeiçoar suas máquinas de madeira e de ferro, é preciso elevar os salários e diminuir as horas de trabalho das máquinas de carne e osso. Provas em apoio? podem-se fornecê-las às centenas. Na fiação, o tear renvideiro, o _self acting mule_, foi inventado e aplicado em Manchester porque os fiandeiros se recusavam a trabalhar tanto tempo quanto antes.
[20] Louis Reybaud, _Le coton, son régime, ses problèmes_, 1863.
Na América, a máquina invade todos os ramos da produção agrícola, desde a fabricação da manteiga até a sacha dos trigais. Por quê? Porque o americano, livre e preguiçoso, preferiria mil mortes à vida bovina do camponês francês. A lavra tão penosa em nossa gloriosa França, tão rica em dores nas costas, é, no Oeste americano, um agradável passatempo ao ar livre que se toma sentado, fumando negligentemente seu cachimbo.