Capítulo II: Bloco 10
Até aqui minha tarefa foi fácil, diz Lafargue, pois bastava descrever males reais, conhecidos por todos nós. Convencer o Proletariado de que a moral que lhe foi inoculada é perversa, de que o trabalho desenfreado ao qual ele se entregou desde o começo do século é o flagelo mais terrível que já feriu a humanidade, de que o trabalho só se tornará um tempero dos prazeres da preguiça, um exercício benéfico ao organismo humano e uma paixão útil ao organismo social quando for sabiamente regulado e limitado ao máximo de três horas por dia, eis uma tarefa árdua, acima de suas forças. Somente fisiologistas, higienistas e economistas comunistas poderiam empreendê-la. Nas páginas seguintes, ele se limitará a demonstrar que, dados os meios modernos de produção e sua potência reprodutiva ilimitada, é preciso domar a paixão extravagante dos operários pelo trabalho e obrigá-los a consumir as mercadorias que produzem.