Capítulo III: Bloco 16
Em regime de preguiça, para matar o tempo que nos mata segundo a segundo, haverá espetáculos e representações teatrais sempre e sempre, é trabalho já encontrado para nossos burgueses legisladores. Serão organizados em bandos, correndo feiras e aldeias, dando representações legislativas. Os generais de botas de montaria, o peito sarapintado de agulhetas, insígnias, cruzes da Legião de Honra, irão pelas ruas e praças aliciando as boas gentes. Gambetta e Cassagnac, seu compadre, farão o pregão da porta. Cassagnac, em grande traje de fanfarrão, revirando os olhos, torcendo o bigode, cuspindo estopa inflamada, ameaçará todo mundo com a pistola de seu pai e se afundará num buraco assim que lhe mostrarem o retrato de Lullier, Gambetta discursará sobre a política estrangeira, sobre a pequena Grécia, que lhe dá pose de doutor e poria a Europa em fogo para trapacear a Turquia, sobre a grande Rússia, que o embrutece com a compota que promete fazer da Prússia e que deseja ao oeste da Europa feridas e contusões para encher a bolsa no leste e estrangular o niilismo no interior, sobre o senhor de Bismarck, que foi bastante bom para lhe permitir pronunciar-se sobre a anistia... depois, desnuda a ampla pança pintada nas três cores, baterá nela o toque de chamada e enumerará as deliciosas criaturinhas, as hortelãs, as trufas, os copos de Margaux e de Yquem que ali engoliu para encorajar a agricultura e manter em júbilo os eleitores de Belleville.