Capítulo III: Bloco 8 O Direito à Preguiça: Tradução Literunico · Capítulo 16 de 37
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Capítulo III: Bloco 8

Tudo é impotente: burgueses que se empanturram, classe doméstica que ultrapassa a classe produtiva, nações estrangeiras e bárbaras que se entopem de mercadorias europeias, nada, nada consegue escoar as montanhas de produtos que se amontoam mais altas e mais enormes que as pirâmides do Egito. A produtividade dos operários europeus desafia todo consumo, todo desperdício. Os fabricantes, enlouquecidos, já não sabem para onde se voltar, já não conseguem encontrar matéria-prima para satisfazer a paixão desordenada e depravada de seus operários pelo trabalho. Em nossos departamentos laneiros, desfiam-se trapos sujos e meio apodrecidos, fazem-se deles panos ditos de _renascença_, que duram o que duram as promessas eleitorais, em Lyon, em lugar de deixar à fibra sedosa sua simplicidade e sua flexibilidade natural, sobrecarregam-na de sais minerais que, ao lhe acrescentarem peso, tornam-na friável e de pouco uso. Todos os nossos produtos são adulterados para facilitar seu escoamento e abreviar sua existência. Nossa época será chamada a _idade da falsificação_, assim como as primeiras épocas da humanidade receberam os nomes de _idade da pedra_ e _idade do bronze_ a partir do caráter de sua produção. Ignorantes acusam de fraude nossos piedosos industriais, quando na realidade o pensamento que os anima é fornecer trabalho aos operários, que não conseguem resignar-se a viver de braços cruzados. Essas falsificações, que têm por único móvel um sentimento humanitário, embora rendam lucros soberbos aos fabricantes que as praticam, ainda que sejam desastrosas para a qualidade das mercadorias e uma fonte inesgotável de desperdício do trabalho humano, provam a engenhosidade filantrópica dos burgueses e a horrível perversão dos operários, que, para saciar seu vício de trabalho, obrigam os industriais a sufocar os gritos da consciência e a violar até as leis da honestidade comercial.

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