Capítulo III: Bloco 18
Se, arrancando de seu coração o vício que a domina e avilta sua natureza, a classe operária se levantasse em sua força terrível, em vez de reclamar os _Direitos do homem_, que são apenas os direitos da exploração capitalista, em vez de reclamar o _Direito ao trabalho_, que é apenas o direito à miséria, e se levantasse para forjar uma lei de ferro, proibindo todo homem de trabalhar mais de três horas por dia, a terra, a velha terra, fremindo de alegria, sentiria saltar dentro de si um novo universo... Como, porém, pedir a um proletariado corrompido pela moral capitalista uma resolução viril...
Como Cristo, a dolorosa personificação da escravidão antiga, os homens, as mulheres e as crianças do Proletariado sobem penosamente, há um século, o duro calvário da dor: há um século, o trabalho forçado quebra seus ossos, fere suas carnes, aperta seus nervos, há um século, a fome torce suas entranhas e alucina seus cérebros... Ó Preguiça, tem piedade de nossa longa miséria! Ó Preguiça, mãe das artes e das nobres virtudes, sê o bálsamo das angústias humanas!