Capítulo III: Bloco 9 O Direito à Preguiça: Tradução Literunico · Capítulo 17 de 37
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Capítulo III: Bloco 9

Entretanto, apesar da superprodução de mercadorias, apesar das falsificações industriais, os operários abarrotam o mercado em multidão, implorando trabalho! trabalho! Sua superabundância deveria obrigá-los a refrear a paixão, ao contrário, leva-a ao paroxismo. Que uma oportunidade de trabalho se apresente, e eles se precipitam sobre ela, então são doze, quatorze horas que reclamam para fartar-se, e no dia seguinte ei-los de novo lançados ao calçamento, sem mais nada para alimentar o vício. Todos os anos, em todas as indústrias, as paralisações voltam com a regularidade das estações. Ao sobretrabalho assassino para o organismo sucede o repouso absoluto, durante três ou seis meses, e, sem trabalho, sem pitança. Visto que o vício do trabalho está diabolicamente cravado no coração dos operários, visto que suas exigências sufocam todos os outros instintos da natureza, visto que a quantidade de trabalho requerida pela sociedade é forçosamente limitada pelo consumo e pela abundância da matéria-prima, por que devorar em seis meses o trabalho do ano inteiro? Por que não distribuí-lo uniformemente pelos doze meses e forçar todo operário a contentar-se com seis ou cinco horas por dia, durante o ano, em lugar de tomar indigestões de doze horas durante seis meses? Assegurados de sua parte cotidiana de trabalho, os operários já não se invejarão, já não brigarão para arrancar o trabalho das mãos uns dos outros e o pão da boca, então, sem estarem esgotados de corpo e de espírito, começarão a praticar as virtudes da Preguiça.

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