Capítulo III: Bloco 11 O Direito à Preguiça: Tradução Literunico · Capítulo 19 de 37
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Capítulo III: Bloco 11

O que o povo, logrado em sua simplicidade pelos moralistas, jamais ousou, um governo aristocrático ousou. Desprezando as altas considerações morais e industriais dos economistas que, como aves de mau agouro, grasnavam que diminuir de uma hora o trabalho das fábricas era decretar a ruína da indústria inglesa, o governo da Inglaterra proibiu por uma lei, estritamente observada, trabalhar mais de dez horas por dia, e, depois como antes, a Inglaterra permanece a primeira nação industrial do mundo.

A grande experiência inglesa está aí, a experiência de alguns capitalistas inteligentes está aí: elas demonstram irrefutavelmente que, para potencializar a produtividade humana, é preciso reduzir as horas de trabalho e multiplicar os dias de pagamento e de festa, e o povo francês não está convencido. Contudo, se uma miserável redução de duas horas aumentou em dez anos de quase um terço a produção inglesa[19], que marcha vertiginosa imprimirá à produção francesa uma redução legal da jornada de trabalho a três horas? Os operários não podem compreender, então, que, ao se extenuarem de trabalho, esgotam suas forças e as de sua progênie, que, gastos, chegam antes da idade a ficar incapazes de qualquer trabalho, que, absorvidos, embrutecidos por um único vício, deixam de ser homens e viram troncos de homens, que matam em si todas as belas faculdades para deixar de pé e luxuriante apenas a loucura furibunda do trabalho?

[19] Eis, segundo o célebre estatístico R. Giffen, do _Bureau de statistique_ de Londres, a progressão crescente da riqueza nacional da Inglaterra e da Irlanda: em 1814, era de 55 bilhões de francos, em 1865, de 162 bilhões e meio, em 1875, de 212 bilhões e meio.

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