Capítulo III: Bloco 13
Se, diminuindo as horas de trabalho, se conquista para a produção social novas forças mecânicas, obrigando os operários a consumir seus produtos se conquistará um imenso exército de forças de trabalho. A burguesia, então descarregada de sua tarefa de consumidor universal, apressar-se-á em dispensar a multidão de soldados, magistrados, jornalistas de aluguel, proxenetas etc., que retirou do trabalho útil para ajudá-la a consumir e desperdiçar. Então o mercado de trabalho transbordará, então será necessária uma lei de ferro para interditar o trabalho: será impossível encontrar ocupação para essa nuvem de antigos improdutivos, mais numerosos que piolhos da madeira. E depois deles será preciso pensar em todos aqueles que proviam suas necessidades e gostos fúteis e dispendiosos. Quando já não houver lacaios e generais para galonar, prostitutas livres e casadas para cobrir de rendas, canhões para furar, palácios para construir, será preciso, por leis severas, impor às operárias e aos operários de passamanarias, de rendas, de ferro e de construções o remo higiênico e os exercícios coreográficos para o restabelecimento de sua saúde e o aperfeiçoamento da raça. Desde o momento em que os produtos europeus consumidos no lugar já não forem transportados ao diabo, marinheiros, homens de equipagem e carroceiros terão de sentar-se e aprender a girar os polegares. Os bem-aventurados polinésios poderão então entregar-se ao amor livre sem temer os pontapés da Vênus civilizada e os sermões da moral europeia.