Capítulo II: Bloco 3 O Direito à Preguiça: Tradução Literunico · Capítulo 1 de 37
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Capítulo II: Bloco 3

Essas misérias, ele as desencadeou. Esse trabalho que, em junho de 1848, os operários reclamavam de armas na mão, eles o impuseram às próprias famílias. Entregaram suas mulheres e seus filhos aos barões da indústria. Com as próprias mãos, demoliram o lar doméstico. Com as próprias mãos, secaram o leite de suas mulheres. Infelizes, grávidas ou amamentando seus bebês, elas tiveram de descer às minas e entrar nas manufaturas, curvar a espinha e esgotar os nervos. Com as próprias mãos, quebraram a vida e o vigor de seus filhos. Vergonha aos proletários! Onde estão aquelas comadres de que falam nossos fabliaux e nossos velhos contos, ousadas na fala, francas de boca, amantes da boa garrafa? Onde estão aquelas mulheres robustas, sempre andando, sempre cozinhando, sempre cantando, sempre semeando vida, dando à luz sem dor crianças sadias e vigorosas? Temos hoje as moças e mulheres de fábrica, flores pálidas de sangue sem cor, estômago arruinado, membros languescentes. Elas nunca conheceram o prazer vigoroso e não poderiam contar, com alegria, como romperam a casca. E as crianças? Doze horas de trabalho para as crianças. Ó miséria! Todos os Jules Simon da Academia de Ciências Morais e Políticas, todos os Germinys da jesuitaria, não teriam inventado vício mais embrutecedor da inteligência das crianças, mais corruptor de seus instintos, mais destruidor de seu organismo, que o trabalho na atmosfera viciada da oficina capitalista.

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