Capítulo III: Bloco 10 O Direito à Preguiça: Tradução Literunico · Capítulo 18 de 37
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Capítulo III: Bloco 10

Embrutecidos por seu vício, os operários não puderam elevar-se à compreensão deste fato: para haver trabalho para todos, era preciso racioná-lo como a água num navio em perigo. Entretanto, industriais, em nome da exploração capitalista, há muito pediram uma limitação legal da jornada de trabalho. Diante da comissão de 1860 sobre o ensino profissional, um dos maiores manufatureiros da Alsácia, o senhor Bourcart, de Guebwiller, declarava: “Que a jornada de doze horas era excessiva e devia ser reduzida a onze, que se devia suspender o trabalho às duas horas no sábado. Posso aconselhar a adoção dessa medida, embora pareça onerosa à primeira vista, nós a experimentamos em nossos estabelecimentos industriais há quatro anos e nos damos bem com ela, e a produção média, longe de ter diminuído, aumentou.” Em seu estudo sobre _as máquinas_, o senhor F. Passy cita a seguinte carta de um grande industrial belga, o senhor Ottevaere: “Nossas máquinas, embora sejam as mesmas das fiações inglesas, não produzem o que deveriam produzir e o que essas mesmas máquinas produziriam na Inglaterra, embora as fiações trabalhem duas horas a menos por dia... Trabalhamos todos _duas grandes horas demais_: tenho a convicção de que, se trabalhássemos apenas onze horas em vez de treze, teríamos a mesma produção e produziríamos, por conseguinte, mais economicamente.” De outro lado, o senhor Leroy-Beaulieu afirma que “é uma observação de um grande manufatureiro belga que as semanas em que cai um dia feriado não trazem produção inferior à das semanas ordinárias...[18]”

[18] Paul Leroy-Beaulieu, _La question ouvrière au XIXe siècle_, 1872.

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