Livro III — Bloco 5 A Consolação da Filosofia — Tradução Literunico · Capítulo 12 de 38
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Livro III — Bloco 5

Nota editorial. Tradução/adaptação editorial Literunico em português, preparada a partir da tradução inglesa em domínio público de H. R. James para The Consolation of Philosophy. Este bloco continua o Livro III, tratando da glória pública, da fama e da nobreza hereditária. Boécio faleceu em 524; H. R. James faleceu em 1931. A base textual está livre no Brasil pelo critério de vida do autor/tradutor mais 70 anos.

Livro III — Bloco 5

“De novo: quão enganadora, quão vil, é muitas vezes a glória! Com razão exclama o poeta trágico: ‘Ó fama querida, quantas vezes elevaste em orgulho o homem baixo!’”

“Muitos conquistaram grande nome por causa das crenças equivocadas da multidão. E que se poderia imaginar mais vergonhoso do que isso? Aqueles que são falsamente louvados precisam, eles mesmos, corar diante dos próprios louvores.”

“E mesmo quando o louvor é conquistado por mérito, que acrescenta ele à boa consciência do sábio, que mede seu bem não pela reputação popular, mas pela verdade da convicção interior?”

“Se parece belo espalhar amplamente esse renome, então se seguirá que qualquer fracasso em espalhá-lo será considerado feio. Mas, como mostrei há pouco, existem necessariamente muitos povos e nações aos quais a fama de um único homem não pode chegar; logo, aquele que tu julgas glorioso parecerá inteiramente sem glória em alguma região vizinha do mundo.”

“Quanto ao favor popular, nem o considero digno de menção aqui, pois nunca vem do juízo e nunca permanece firme.”

“Além disso, quem não vê quão vazia e tola é a fama de nascimento nobre? Se a nobreza se baseia no renome, esse renome pertence a outro. Pois, na verdade, a nobreza parece ser uma espécie de reputação vinda dos méritos dos antepassados.”

“Mas, se é o louvor que traz renome, necessariamente são famosos aqueles que são louvados. Portanto, a fama de outro não te veste de esplendor se não tens esplendor próprio.”

“Assim, se há alguma excelência na nobreza de nascimento, penso que é apenas esta: ela parece impor aos bem-nascidos a obrigação de não degenerarem da virtude de seus antepassados.”

Todos os homens são de uma só linhagem, embora espalhados por toda parte; pois um só é o Pai de todos, um só provê para todos. Ele deu ao sol seus raios de ouro e à lua seu arco de prata; colocou a humanidade sobre a terra, assim como adornou os céus com estrelas.

Ele encerrou uma alma, uma alma nascida do céu, dentro da moldura do corpo. Cada mortal pode reivindicar essa origem nobre que lhe foi dada.

Por que, então, vos vangloriais tão alto de raça e linhagem ancestral? Se contemplardes a fonte de vosso ser e o desígnio supremo de Deus, ninguém é degenerado, ninguém é vil, a menos que, pela mancha do pecado e pelo vício cultivado, macule indignamente sua origem celeste.

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