Livro III — Bloco 6
Nota editorial. Tradução/adaptação editorial Literunico em português, preparada a partir da tradução inglesa em domínio público de H. R. James para The Consolation of Philosophy. Este bloco continua o Livro III, tratando dos prazeres corporais como falsa promessa de felicidade. Boécio faleceu em 524; H. R. James faleceu em 1931. A base textual está livre no Brasil pelo critério de vida do autor/tradutor mais 70 anos.
Livro III — Bloco 6
“Então, que direi dos prazeres do corpo? O desejo deles é cheio de inquietação; sua satisfação, cheia de arrependimento.”
“Que doenças, que dores intoleráveis, eles costumam trazer ao corpo daqueles que os desfrutam, como se fossem frutos da iniquidade! Que doçura pode haver no estímulo do prazer, não sei; mas que seus resultados são dolorosos qualquer um pode compreender, se quiser recordar a memória de suas próprias paixões corporais.”
“Além disso, se tais prazeres podem produzir felicidade, não há razão para que os animais também não sejam felizes, já que todos os seus esforços se dirigem avidamente à satisfação das necessidades do corpo.”
“Sei, na verdade, que a doçura da esposa e dos filhos deveria ser bela e conveniente; contudo, é fiel demais à natureza aquilo que se disse de certo homem: que encontrou em seus filhos os seus tormentos.”
“E quão amarga seria tal contingência, preciso lembrar-te, embora nunca tenhas sofrido experiências desse tipo, nem estejas agora sob essa inquietação. Nesse caso, concordo com meu servo Eurípides, que disse que o homem sem filhos era afortunado em sua desventura.”
Este é o caminho do Prazer: ele fere aqueles que o saqueiam. E, como a trabalhadora alada que perdeu seu tesouro de mel, foge, mas deixa sua dor profundamente cravada no coração.