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Maurício ou Os Paulistas em São João del-Rei

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Maurício ou Os Paulistas em São João del-Rei

Capítulo 22 · Maurício ou Os Paulistas em São João del-Rei

Volume 1 — Capítulo XXII — A Gruta de Irabussú

22 de 50 ≈ 17 min de leitura

O sol já havia desaparecido do horizonte. Os emboabas tinham pela frente, a poucos passos de distância, uma enorme massa de rocha calcária, coroada de selvas, e elevando-se a prumo como fachada em ruína de construção titânica. Pelos outros lados cercava-os um extenso vargedo, todo crivado de pequenas lagoas e viçosos bosquetes. Além, um grande rio coleando entre florestas e mostrando aqui e acolá o largo veio ainda cintilante das púrpuras do céu. Mais além, os topes de elevada serrania, desenhando-se no fundo do horizonte sereno, ainda iluminado pelos últimos reflexos do dia.

Interessante e grandioso devia ser aquele espetáculo; mas a narrativa nos punge para diante, e nossos emboabas não tinham tempo nem vontade de se conservarem em estática contemplação diante das maravilhas da natureza.

Em face de uma furna imensa e pavorosa, ensopados, transidos de terror e de frio, entregues às mãos de um espírito diabólico, de um bruxo, de um feiticeiro, que disposição poderiam ter para contemplar os horizontes em redor?... Além disso, o que lhes preocupava o espírito era o ouro, o ouro sólido e verdadeiro, que sai das entranhas da terra, e não o ouropel das nuvens, essas tintas vãs, que costumam colorir o céu nas belas tardes e manhãs de nossos climas.

Que lhes importava o ouro do céu, se eles procuravam o ouro da terra!... Em vez de estarmos a contemplar os horizontes, enfiemo-nos, portanto, pelo seio da terra adentro.

Estavam, pois, os emboabas estacados diante de uma arcada enorme, que servia de pórtico ou de umbral a profundos e tenebrosos antros. O crepúsculo, que já então se estendia pela valada, era ali ainda mais carregado em razão da sombra que caía do coruchéu da rocha coroada de brenhas, à maneira de melena eriçada sombreando a torva e rugosa catadura de um gigante.

Era ali quase como noite fechada; mas, se voltassem a face, veriam ainda os emboabas a extrema luz do dia esbatendo-se suavemente pelo cimo das colinas pitorescas.

Mas eles só viam a boca da caverna que tinham diante dos olhos, e ali estavam estatelados como o sapo diante das goelas da cobra que o vai devorar; e nada ouviam mais que o resfolegar do antro, que soltava de dentro um sussurro medonho como o gemido dos abismos, ou o rugir longínquo da tormenta.

— É aqui, meus brancos!... Estamos em casa! — disse Irabussú com um sorriso sinistro.

Já espavoridos diante daquele rochedo, que parecia a fachada dos palácios infernais, ainda mais aterrados ficaram os portugueses pelo tom de mofa infernal com que o índio, mostrando os dentes amarelos, pronunciou aquelas palavras.

Se fora da caverna era quase noite, dentro reinava completa escuridão. O índio sentou-se sobre uma pedra, e deu a entender que era mister acender fogo.

— Isso vamos nós já fazer — retrucaram os emboabas.

— Além de estarmos resfriados e ensopados até os ossos, não havemos de passar a noite às escuras.

Trataram imediatamente de ajuntar alguns paus secos nas moitas que cresciam pela raiz do rochedo. O chão é úmido e quase perfeitamente plano desde a barranca do rio, que ficava como a um quarto de légua, até a base da penedia.

No tempo das chuvas, com o transbordamento do rio, a água entra pela caverna e torna muito mais difícil o seu acesso. Não foi, pois, sem bastante dificuldade que os emboabas, ferindo fogo no fuzil das escopetas, conseguiram atear uma boa fogueira à entrada da gruta e ao abrigo da imensa abóbada.

Os emboabas foram logo encostando suas armas e tratando de arranjar leitos de capim para se acomodarem à roda do fogo, como se tivessem de ali passar a noite. Irabussú tirou-os dessa ilusão, fazendo-lhes ver que era forçoso entrar na gruta imediatamente. Os emboabas olharam uns para os outros, espantados e indecisos.

— Abrenúncio!...— exclamou um deles.

— Eu entrar nessa buracada a estas horas!... Nem que me esfolem vivo!...

— Nem eu!... Isto me parece a porta do inferno; é para lá que este bruxo nos quer levar.

— Então é lá dentro que está o ouro, bugre de satanás?...

— É — respondeu secamente Irabussú.

— Nesse caso, entra tu sozinho, e traz de lá um punhado para servir de amostra; ouviste?... Irabussú abanou a cabeça.

— Se Irabussú não aponta com o dedo — respondeu —, ninguém é capaz de dar com o lugar do ouro.

— Mas isso não pode ficar para amanhã?

— Irabussú precisa voltar hoje mesmo.

— Isso é se nós consentirmos.

— Amanhã Irabussú está morto, e não pode mais mostrar o lugar do ouro.

— Sai daí, manhoso; ainda que seja amarrado de pés e mãos, hás de aqui ficar hoje, e amanhã, queiras ou não, hás de nos mostrar a mina.

— Amanhã Irabussú está morto!...— murmurou lugubremente o índio, rolando-se por terra.

Esta frase, repetida com acentos fúnebres, soou aos ouvidos dos emboabas como uma tremenda profecia, e por alguns instantes os fez cismar, mudos e transidos de pavor.

Pior está esta!... Se este diabo morre mesmo deveras e leva para a eternidade o seu segredo, deixando-nos aqui perdidos neste deserto sem ao menos termos o consolo de ver a maldita mina!... Tanto ouro perdido!... Perdido para sempre!... Oh! Não!... Isso não pode ser!... Aproveitemos as horas de vida que lhe restam. Eram estes os pensamentos que perpassavam pela mente de todos.

— Que estamos aqui a banzar, meus amigos? — exclamou por fim um deles, reanimando-se.

— Dê no que der, vamos por diante, porque, afinal de contas, naquele inferno tanto faz entrar de dia como de noite. Vamos, hein, companheiros?...

— Para que irmos todos?... Basta ir um ou dois de nós...

— Pois então vai tu...

— E por que não hás de ir tu?...

— Não, senhores!... A não irmos todos, nenhum lá entrará. O perigo deve ser para todos, se é que querem que o ouro também chegue a todos. Ânimo, patrícios!... Entremos!... Avante, meu bugre!...

— Avante! Avante! — exclamaram todos, pondo-se de pé e tomando suas armas; Irabussú, porém, não se moveu.

— Então?... Não te mexes, bruto?...— bradou um, dando um pontapé no bugre, que continuava imóvel e prostrado por terra.

— Estarás já morto, bruxo de mil diabos?

Irabussú levantou um pouco a cabeça e apresentou os punhos amarrados, como quem queria dizer que, assim manietado, não poderia entrar na caverna. Suscitou-se entre eles então uma pequena discussão, cujo resultado foi concordarem em desatar os pulsos do bugre, e amarrar-lhe a corda em volta da cintura, segurando um deles nas pontas da mesma, com todo o cuidado, enquanto estivessem dentro da caverna. Feito isso, o índio deu-lhes a entender que ainda não estava tudo pronto, e que não era possível entrar às escuras. Os emboabas compreenderam e, ajudados por Irabussú, aprontaram com taquaras e ramos secos sete fachos, que deviam ir acendendo um após outro, à medida que os primeiros fossem se extinguindo. Os emboabas mostraram-se receosos de que aqueles fachos não fossem suficientes; mas o índio tranquilizou-os, explicando-lhes que a mina não estava muito longe, e que em poucos minutos estariam de volta e fora de perigo.

— Eia, companheiros!... Está tudo pronto; vamos! Anda, meu bugre!... Entremos nas horas de Deus... Irabussú acendeu na fogueira o seu archote e foi entrando pela caverna. Os emboabas o acompanharam de perto, benzendo-se e rezando quantas orações sabiam.

Para fora da lapa nada mais se via; a escuridão da noite, que começava a descer, e a fumaça da fogueira tudo escondiam. Estavam segregados completamente da luz do céu e franqueavam os lúgubres umbrais do reino das trevas.

Acompanhemo-los, e vamos também admirar, à luz do archote de Irabussú, as maravilhas dessa imensa e misteriosa gruta.

O pavimento é plano, liso, coberto de areia e de folhiço, como um solo de aluvião; os emboabas penetram com facilidade pela gruta adentro. Logo à entrada, entre os broncos pilares da arcada imensa, que serve de pórtico aos antros, observa-se um curioso e estupendo fenômeno.

Um enorme rochedo está como pendurado da abóbada, à semelhança de lustre colossal, colocado à entrada daquele templo subterrâneo. Mas o monstruoso lustre está envolto em crepe pardacento, suas luzes estão extintas, e é mister brandir o archote em volta dele para admirar-lhe as dimensões titânicas, e ver como se acha preso à cúpula por um ligamento proporcionalmente tão delgado que faz estremecer. Está ali, como a espada de Dâmocles suspensa por um fio, aquela massa enorme de milhares de quintais, como ameaçando esmagar, pulverizar com sua queda, os imprudentes mortais que ousarem passar-lhe por baixo para devassarem os mistérios daqueles áditos tenebrosos.

Mas Irabussú e seus companheiros não estão ali para admirar semelhantes maravilhas; passam por debaixo do imenso candelabro sem prestar-lhe atenção, internam-se mais alguns passos, e acham-se no recinto de um vasto salão, amplo e circular, à maneira da nave de magnífica rotunda. Curvava-se sobre suas cabeças uma abóbada de pasmosa elevação, e, de profunda que era, mal seria percebida ao fraco clarão do archote, se não fosse o cintilar das pedras úmidas, polidas e pontiagudas, de que estavam crivados o teto e as paredes da gruta.

À luz daquele archote, demasiado escassa para iluminar tão vasto recinto, o interior da lapa, já de si mesmo curioso e surpreendente, tomava um aspecto solene e fantástico, que inspirava a um tempo pavor e assombro. Os muros e a abóbada pareciam cobertos de ornatos e esculturas caprichosas, de frisos, relevos, cornijas, colunas, nichos e volutas em desordenada profusão.

Aqui via-se um altar mutilado; ali cavava-se no muro um trono em ruínas; além ressaltava da parede um magnífico púlpito; mais além, um renque de colunas decepadas se estendia a perder-se na escuridão. E tudo isso se revestia de brilhantes e variadas cores, reverberando a luz do facho com reflexos de ouro e rubis, de esmeralda e safira, de topázio e ametista.

Era uma gruta de estalactites, curioso brinco em que a natureza parece comprazer-se, dando as mais singulares e caprichosas figuras a essas rochas formadas no côncavo das cavernas pela congelação de gotas de água infiltradas durante séculos através das fendas dos rochedos.

Além de tudo isso, uma multidão de cordas de grossura enorme, descendo perpendicularmente da abóbada em uma altura talvez de mais de vinte braças, vinham embeber-se no chão. Dir-se-iam cordões que suspendiam imensas cortinas destinadas a velar os mistérios daquele estupendo e maravilhoso santuário. Eram raízes de árvores seculares que, cravando-se pelas fendas da abóbada e achando embaixo o espaço vazio, alongavam-se até o solo, onde vinham beber a seiva, para alimentar a robusta e vicejante selva que, cobrindo o coruchéu da gruta, balanceava lá em cima, a mais de cinquenta braças de altura, a coma verde-negra às auras livres do céu.

Em tudo se parecia aquele antro com o interior de um templo ciclópico, por onde roçara a asa estragadora dos séculos, ou passara a mão vandálica do bárbaro, destroçando e mutilando tudo.

A luz avermelhada do archote, batendo nas miríades de pontas de estalactites que incrustavam toda a abóbada, reverberando em chispas cintilantes, produzia o mais deslumbrante efeito. Os portugueses não puderam conter um grito de surpresa e assombro, e estacaram por instantes diante de tamanha maravilha.

— Que é isto, santo Deus!...— exclamavam uns.

— Tudo isto é ouro e pedraria!... É aqui!... É aqui! Estamos enfim na mina... Outros, porém, pensaram estar em um palácio de fadas e, acreditando que o bugre não era mais que um formidável encantador, começaram a tremer por sua sorte, receando ali ficarem encantados para todo o sempre.

Para se moverem, foi mister que Irabussú os acordasse daquela estupefação. Já dois fachos se tinham consumido, e não havia um minuto a perder.

O índio avançou contorneando o vasto salão, como procurando entrada para outros aposentos. Viam-se, com efeito, em torno, aqui e acolá, grande número de fendas e arcadas de várias dimensões, e corredores que se perdiam na escuridão e pareciam dar entrada a novos e vastíssimos compartimentos. O bugre penetrou pelo mais espaçoso desses corredores, seguido de perto pelos portugueses. Via-se a um lado, suspenso na muralha, um púlpito quase perfeito, de linda e grandiosa estrutura. Os emboabas cuidaram ver dentro dele um monge de joelhos e debruçado, com a fronte envolta em seu capuz. Já se ajoelhavam e persignavam, dispostos a ouvir um sermão, quando subitamente troou-lhes aos ouvidos uma voz horrível, antes um pavoroso mugido.

— Tupassununga! — bradara Irabussú com toda a força de seus pulmões. Os ecos das profundas cavidades reproduziram por largo tempo o grito estranho em surdos e temerosos rugidos.

Imediatamente, dois sanhudos e truculentos canguçus, rompendo das grutas interiores, passaram velozes como o raio por entre os portugueses, e desapareceram de novo na escuridão. De susto ou abalroados, estes quase todos caíram por terra e, trêmulos, cobertos de suor gélido, não pensaram senão em encomendar a alma a Deus.

— Não tenham medo, meus brancos! — disse Irabussú com um sorriso calmo e satânico.

— Estes bichos moram aqui; são uns gatinhos que vigiam o ouro de Tupã; foi para tocá-los para fora que Irabussú gritou.

Estas palavras, proferidas em tom de diabólica ironia, não eram muito próprias para tranquilizar os emboabas.

— Se temos de morrer sem falta — murmurou um com voz desfalecida —, é melhor morrermos aqui mesmo; daqui não dou mais nem um passo para diante.

— Se temos de morrer — replicou outro, um pouco mais animado —, tanto faz morrer aqui como acolá; vamos, companheiros!... Pelo que vejo, já estamos no inferno em corpo e alma, e tão inferno é aqui como lá mais adiante.

O terror, tendo tocado ao seu cúmulo, converteu-se em coragem, como sói acontecer, nessa coragem dos que se julgam irremissivelmente perdidos, e que se chama coragem do desespero.

Guiados pelo índio, os emboabas avançaram resolutamente através de um dédalo de furnas, corredores e escaninhos irregulares, em que se achava dividida a gruta, à maneira de alvéolos de uma colmeia gigantesca. Esses diversos compartimentos eram separados entre si por grossas massas de estalactites que, pendendo do teto, vinham quase tocar o chão, como feixes de colunas carcomidas pela base, ou como os canudos de um órgão emborcado, e também por grandes camadas de estalagmites que se erguiam do solo como restos de pilastras derruídas, ou de muros arruinados.

Já o terceiro facho estava prestes a extinguir-se, e ainda eles não haviam chegado ao tão suspirado alvo de tamanhas fadigas e perigos.

— Ainda estará muito longe essa maldita mina, bugre endiabrado?...— bradou um dos emboabas.

— Olha, não vá nos faltar o lume!... Se ficarmos às escuras, não sei como daqui nos havemos de safar...

— Ficaremos sepultados em vida debaixo destas catacumbas — acrescentou outro.

— Voltemos, meus caros; isto não vai bem...

— É ali!... É ali! — exclamou Irabussú, apontando para uma solapa estreita, que se divisava a alguns passos de distância, na base de um enorme congesto de estalagmites, e pela qual mal poderia entrar um homem agachado.

— Ali!... Naquele buraco! Deus me defenda de lá entrar!... Ali, só lagarto ou cobra... Apenas um dos emboabas acabava de proferir estas palavras, despregou-se da abóbada e caiu no meio deles uma jiboia enorme, de mais de braça de comprimento e grossa como a perna de um homem, fazendo um ruído surdo como corda que despenca do alto de um mastaréu, e, desdobrando-se rapidamente, correu a esconder-se nas trevas, entre as anfractuosidades dos rochedos. O medonho réptil acordara sobressaltado pelo eco daquelas vozes estranhas e, deslumbrado pela luz, querendo fugir, precipitara-se de uma alta cornija, onde estava a dormir tranquilamente. Os portugueses murmuravam, a tremer, a oração de S. Bento, advogado contra animais venenosos, e perderam de novo o ânimo de avançar.

— Meu Deus! Meu Deus!... Que será de nós!...— exclamavam, quase a chorar de medo.

— Se essa mina está lá nas profundezas dos infernos, guardada por tigres e serpentes, escusado é procurarmos ir lá. Voltemos, meus amigos!... Isto não está nada bom! Voltemos quanto antes! Irabussú, meu bom velho, por piedade, tira-nos daqui para fora; deixemos isto para amanhã... Livra-nos deste inferno.

— Essa cobra não tem veneno — respondeu tranquilamente Irabussú.

— Aqui há muitas; é bom dar um tiro; elas fogem espantadas, e não incomodam mais a gente.

— Pois vá! — disse um deles e, sem refletir, trêmulo de impaciência, de frenesi e de terror, com mão convulsa engatilhou a escopeta e disparou o tiro.

O eco, refrangido de gruta em gruta, reboou como uma descarga atroadora; o ar agitou-se convulsionado; a chama do facho oscilou violentamente, e as sombras dos vultos que ali estavam dançaram pelas paredes como um grupo de duendes. Uma nuvem de morcegos e corujas, surgindo de todos os cantos, revoou em turbilhões, açoitando com as asas as faces daqueles hóspedes imprudentes, e acabou por apagar completamente o facho que ardia na mão de Irabussú!... Acharam-se todos subitamente mergulhados na mais completa e profunda escuridão!... Os ecos do tiro, prolongando-se ainda largo tempo em lúgubres mugidos pelas abóbadas soturnas, pareciam estar entoando um fúnebre De profundis sobre aqueles infelizes, ainda vivos e já envoltos na eterna escuridão dos túmulos.

— Acude-nos, Irabussú!... Só tu nos podes salvar!... Vem dar-nos a mão!... Por piedade, vem livrar-nos deste inferno!...

— Estas e outras exclamações faziam os míseros emboabas com voz tão suplicante e lastimosa, que cortaria o coração de outro qualquer que não fosse Irabussú.

— Irabussú aqui vai!... Acompanhem!...— respondeu uma voz sepulcral, que parecia romper das entranhas da terra.

— Irabussú! Irabussú! — bradavam ainda os míseros, estorcendo-se nas ânsias do desespero.

Mas só lhes respondiam os ecos das cavernas subterrâneas, remurmurando uns sons confusos e medonhos.

Maurício ou Os Paulistas em São João del-Rei

Sinopse

Leia gratuitamente Maurício ou Os Paulistas em São João del-Rei, romance histórico de Bernardo Guimarães publicado originalmente em 1877. Em dois volumes e 50 capítulos, a narrativa acompanha os conflitos entre paulistas e emboabas no início do século XVIII. Esta edição integral do Literunico foi restaurada a partir do fac-símile de 1877, conferida e normalizada em português brasileiro moderno para publicação no Aurora.

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