Universo da obra
Universo da obra
O leitor pode fazer ideia do estado deplorável em que se acharia a alma de Maurício, depois que se retirou da gruta nefasta. Seu espírito se achava como aniquilado sob o peso esmagador das fatais circunstâncias, que lhe tolhiam toda e qualquer ação. Ficar inerte e impassível em face das calamidades que se preparavam também não lhe era possível. Não podia salvar Leonor e o capitão-mor sem avisá-los do levante que se projetava, sem atraiçoar esses dedicados patrícios, que na melhor-fé contavam com seu tino, esforço e dedicação para ajudá-los a sacudir o odioso jugo que os vexava. Demais, Antônio lá ficara na gruta como penhor de sua lealdade, e, denunciando o movimento, ele seria duas vezes traidor, sacrificando também o amigo, cuja cabeça fora a garantia de sua vida. Tais pensamentos nem por um momento poderiam aninhar-se no espírito do nobre e generoso paulista. Tomar parte no levante era levar a destruição, o incêndio, a carnificina à habitação de seu benfeitor, e talvez a morte e a profanação ao seio da amante idolatrada. Calar-se mesmo era também atraiçoar o amor, a amizade e a gratidão; era ser consentidor e cúmplice na morte dos seres a quem mais devia e mais amava neste mundo. Fugir não podia; desamparar covardemente Leonor sobre uma cratera prestes a fazer explosão era uma infâmia. Que cruel e inextricável situação!... Oh! Se ao menos fosse ele a única vítima das horríveis catástrofes que antevia; mas não; por qualquer dos lados que se declarasse, com ele e por ele iriam ser sacrificados inevitavelmente os entes mais caros ao seu coração.
O dia inteiro que se seguiu à cena da gruta, Maurício o passou encerrado em seu aposento, entre as dolorosas vacilações que lhe estortegavam o coração, impelindo-o violentamente para lados opostos. Em vão dava tratos ao espírito, procurando um meio-termo pelo qual conseguisse, sem trair seus patrícios, amparar e defender os bens e a vida do capitão-mor e sua família. Não havia uma saída para o círculo de ferro em que se achava comprimido. Era ele agora o único que não acompanhava o ódio geral contra os emboabas; já nem o próprio Antônio se achava a seu lado. Este, depois que soubera que o capitão-mor, namorado de Judaíba, a queria para si, abjurou todos os laços de afeição que o prendiam à família de Diogo Mendes e abraçou com ardor a causa dos insurgentes, por ser o único meio de reivindicar sua querida amante. Sabendo de Maurício que o capitão-mor exigia a sua entrega, o atilado caboclo logo lhe adivinhou a intenção.
— Decerto o velho emboaba quer mandar-me para longe — pensou ele —, a fim de separar-me de Judaíba. Como te enganas, maldito!... Antônio nunca mais te cairá nas garras; e nem Judaíba nunca há de ser tua; nunca!... Eu te juro pela alma de Irabussú!
Entretanto, doía-lhe no fundo da alma ter de contrariar seu querido patrão, cuja indecisão e abatimento muito o magoavam.
— Patrão — disse-lhe ele —, eu vou sumir-me e não aparecerei aqui senão às escondidas, visto que o capitão-mor quer deitar-me a unha; mas tenho esperança de que vossas mercês irá juntar-se em breve conosco no mato, para darmos cabo desta corja de perros que nos mordem.
— Não sei, Antônio, não sei; minha posição é inexplicável. Um raio que me fulminasse poderia somente arrancar-me do terrível embaraço em que me acho.
— Qual embaraço!... Creia o patrão que não há de possuir sinhá Leonor senão quando a for pedir com um punhal tinto no sangue do malvado Fernando, assim como Antônio não terá Judaíba, nem Calixto terá Helena, senão depois de arrombar portas e arrancá-las à força por cima dos cadáveres dessa canalha maldita. Ânimo, patrão!... Não é com lágrimas que havemos de conseguir nada, mas sim com sangue, e muito sangue!...
— Antônio, se me queres bem, não me fales em sangue...
— Pois bem, já que assim o quer; entretanto, adeus, patrão; não há remédio senão deixá-lo; mas eu lhe aparecerei todos os dias, sem que ninguém mais me veja... Malvados! Que vêm me desterrar, querem me roubar minha Judaíba!... Ou hão de matar-me, ou ela há de ser minha... Adeus, patrão; se se vir em apertos e precisar de mim, eu não estou longe; lembre-se da gruta de Irabussú.
— Vai, Antônio; faze o que entenderes; mas fico certo de que nunca o teu ferro se levantará contra o capitão-mor e de que, se alguém ousar tocar em Leonor, serás o primeiro a te lançar sobre ele como um jaguar...
— Eu o juro, patrão... Em presença de Antônio ninguém os ofenderá!... Adeus!... Voltemos, porém, ao ponto em que deixamos nossa narrativa. Enquanto Maurício, na mais cruel perplexidade, via escoarem-se as horas daquele longo dia, Antônio, cuidadosamente vigiado, conservava-se na caverna de Irabussú como fiador da lealdade de seu patrão, calmo e tranquilo, como quem não tem remorsos no passado nem receios no porvir.
Entretanto, em casa do capitão-mor passavam-se graves acontecimentos, dos quais é preciso informar o leitor. Desde o dia em que Maurício fora como que despedido da casa de seu benfeitor, Leonor, que ignorava aquele acontecimento, notando a ausência e o retraimento do amante, começou a entristecer-se; cruel pressentimento lhe pesava sobre o coração. O desaparecimento de Antônio contribuía para aumentar-lhe a inquietação. Sabia que Maurício se achava no povoado, porque o via às vezes à janela de sua casa, mas tão pensativo e abatido que mais lhe dobrava as tristes apreensões. Ousou perguntar por eles a seu pai, em presença de Fernando e de Afonso.
— Que te importam esses farroupilhas? — respondeu o pai com mau humor.
— Andam por aí; decerto não estão tratando de nosso sossego nem de nossa felicidade.
O capitão-mor, que não desistia do seu projeto de esposar Judaíba, já acreditava firmemente em um plano de sublevação; não duvidava que Antônio tomasse parte nele e sentia profundamente abalada a confiança que até ali depositara em Maurício.
Também os sentimentos de generosidade e cavalheirismo de Afonso foram passageiros; não duraram senão enquanto tinha diante dos olhos a cena lastimosa de que fora o principal autor. Fernando teve o cuidado de estimular de novo os instintos perversos que, com tanto esmero e solicitude, ia plantando e cultivando naquela alma juvenil.
Seu ressentimento contra Calixto recrudescia à medida que se exaltava a cega paixão que concebera por Helena, a quem agora podia ver e falar a todo momento que quisesse, se bem que esta, sempre refugiada ao pé de Leonor, lhe manifestasse a mais decidida e insuperável esquivança. Como facilmente acreditamos naquilo que desejamos, Afonso também já pensava em uma conspiração em que Calixto infalivelmente devia achar-se envolvido. Afonso teve, pois, a grosseira lembrança de gracejar com sua irmã, que, inquieta e angustiada, perguntava por Maurício e Antônio.
— Se Helena não estivesse aqui — disse ele, chacoteando —, eu diria que Maurício estava em casa do mestre ferreiro com Gil e Calixto, a fazer-lhe a corte. Não sendo assim, deve andar com Antônio pelo mato, a caçar onças.
Fernando conservou-se silencioso, mas o sorriso de diabólico sarcasmo que lhe pairava pelos lábios foi para o coração de Leonor uma seta envenenada, mil vezes mais lacerante que as respostas sardônicas de seu pai e seu irmão. Pressentiu que Maurício e seus amigos estavam definitivamente perdidos no espírito do capitão-mor, e sua inquietação transformou-se em angústia cruel e mortal abatimento.
Para acabar de um só golpe os restos de confiança e estima que ainda porventura Maurício merecia do capitão-mor, bastava a Fernando revelar ao capitão-mor o amor extremo que o paulista consagrava à sua filha. Fernando, porém, até ali muito de propósito tinha deixado de dar este passo. Sabedor disso, o capitão-mor não faria mais, talvez, do que desterrá-lo, enxotá-lo da sua presença e para bem longe. Isto só, porém, não satisfazia ao ódio de Fernando, que queria tomar de seu rival a mais completa e cruel vingança. Cumpria-lhe irritá-lo a ponto de compeli-lo a algum ato de violência que lhe custasse a cabeça, e com este resultado Fernando contava com toda a segurança. Portanto, já bastante desconfiado da docilidade dos paulistas e contando como quase certa, mais tarde ou mais cedo, uma sublevação, não cessava de persegui-los, prendê-los e castigá-los sob o mais insignificante pretexto; trazia tudo debaixo da mais severa vigilância; fazia rondas todas as noites, varejava casas, fazia inquéritos e devassas continuadas; mas, ou por um feliz acaso, ou por precauções prudentemente tomadas pelos conspiradores, não tinha podido até ali colher indício algum de planos de insurreição. Posto que contasse com ela, todavia não tinha medo algum, pois, presumido e soberbo como era, entendia que só com um grito faria tudo tremer e rojar-se humilde a seus pés.
Maior ainda era a seguridade do capitão-mor, o qual, confiado na sua fidalguia e alta posição e no terror que infundia sua valente espada, preocupava-se tanto com uma sedição daquela gente como com o arreganho de alguns cães a ladrarem. Dormia tranquilo sobre um vulcão, descansado na vigilância e nas rigorosas medidas preventivas de Fernando, e não via que esses paulistas oprimidos, esses escravos índios e africanos, que de dia trabalhavam para ele de rosto alegre, iam de noite para o mato amolar em segredo o punhal da vingança.
Havia, entretanto, em casa do capitão-mor um ente singular de que até aqui não temos dado conhecimento ao leitor e que já farejava pelos ares e como que adivinhava a iminente sublevação dos paulistas. Era um pequeno escravo ou criado de raça indígena mesclada ao sangue africano, a que então se dava o nome de mameluco. Esse diabrete, pequeno, delgado e raquítico, ágil como um macaco, leve como um silfo, sutil como uma sombra, achava-se por toda a parte quase sem ser visto. Pelo físico parecia um menino de doze a quatorze anos e chorava como criança se seus amos o castigavam. Por isso muitos o julgavam apenas um menino travesso, tendo suas diabruras em conta de puras criançadas.
Era o brinco e regalo do capitão-mor, a quem divertia com suas truanices. Era muito jovial e galhofeiro, tocava machete, dançava e cantava lunduns, e tinha por isso entrada em todas as casas, sendo admitido e muito apreciado nos folguedos. No mato, um sagui não lhe levaria a palma em grimpar pelas árvores e saltar de ramo em ramo pela coroa das florestas; era capaz de viajar léguas sem pôr o pé em terra. Também montava admiravelmente a cavalo e seria um jóquei de fazer furor a qualquer lord inglês. Enfim, tinha faro de cão, leveza e agilidade de irara, esperteza e astúcia de raposa. Dotado, além disso, de muitas habilidades e prendas úteis, seria o melhor dos criados, se uma perversidade inata, uma índole profundamente maléfica, não o tornasse o pior dos homens. Era de São Paulo, chamava-se Tiago. go, e era o pajem favorito de Fernando, que melhor que ninguém conhecia-lhe as manhas. Tiago pois com a perspicácia e tino malévolo, de que era dotado, desconfiou por alguns indícios que ia observando, que alguma coisa se transava fora da povoação. Vagando à desoras teve ocasião de ver alguns paulistas desgarrados embrenharem pela mata do Rio das Mortes; outra vez foi à casa de mestre Bueno à noite já muito tarde, bateu e não encontrou ninguém; o mesmo praticou e o mesmo aconteceu-lhe em casa de outros paulistas. Isto reunido a outros sintomas, que escapavam a todos, mas que o ardiloso mameluco espreitava com sutil sagacidade, fê-lo conceber bem fundadas suspeitas de conluio para uma insurreição. Foi isto para o perverso rapazinho o mais precioso achado, e dando pulos de contente apressou-se em dar conta a Fernando de tudo, que tinha observado naqueles dois últimos dias.
— Meu amo, disse-lhe ele, estes paulistas andam com o diabo no corpo, e sem dúvida estão aprontando alguma estralada.
— Que estralada?.
— Ora que estralada!... nada menos do que algum levante...
— Estás doido!... como sabes disso?...
— Ora!... tenho cá um dedinho, que me conta tudo, que vai por esse mundo. Aí pelo mato há coisa. O Maurício anda trombudo que nem o diabo, e o Gil anda assim como espaventado e sem sossego, e há dias, que o acho com outra cara. Meu parente Antônio sumio-se. O Bueno e o Calixto quase que não trabalham mais na forja; fui ontem lá com o sol alto, e eles que sempre foram os maiores madrugadores do mundo, ainda estavam dormindo. Às vezes me parece ouvir um certo zumbido aí por esses matos.
— Explica-te melhor, Tiago, e diz-nos tudo o que sabes.
— Não posso; por ora é só isto, que sei, mas eu sou mestre de acompanhar as abelhas até descobrir o cortiço. ' — Ah! Tiago! Tiago! se mo descobres, exclamou Fernando esfregando as mãos de contente, dou-te a liberdade, dou-te muito ouro, dou-te tudo, que quiseres, e para estreia toma lá já, disse atirando-lhe algumas moedas, que o caboclinho aparou no ar.
— Anda, corre, voa, esquadrinha e fareja tudo com a tua costumada esperteza. Nenhum interesse por Fernando, pelo capitão-mor, nem por nenhum dos emboabas induzia o maldito mameluco a fazer-lhes este serviço denunciando a insurreição, não lhes tinha afeto nem dedicação alguma, e era levado simplesmente pelo espírito de fazer mal aos paulistas, aos quais odiava de todo o coração como odiava a todo mundo. Gostaria de vê-los todos pendurados a uma forca; mas também muito se alegraria com o espetáculo de uma degolação de emboabas a principiar pelo próprio Fernando. Deliberou ser de ambos os partidos para não ser de nenhum; o que queria era, que ambos se fizessem um ao outro o maior mal possível, e nesse intuito propôs-se a desenvolver todo o seu diabólico tino e sagacidade para se pôr ao fato do que se passava de um e outro lado. O sol já ia muito baixo, e entretanto Maurício não saía de sua angustiosa inação. Ao tempo, que Tiago em casa do capitão-mor denunciava a insurreição, Gil ia ter com o seu amigo a fim de tentar um derradeiro esforço para induzi-lo não já a tomar partido pelos insurgentes, mas a retirar-se a fim de que não fosse vítima de uns ou de outros.
— É forçoso — dizia-lhe — que tomes quanto antes uma resolução, qualquer que ela seja. Sabes quanto sou teu amigo; respeito o teu amor, e sei quanto é delicada a tua posição; mas agora bem vês que me é forçoso pôr a amizade de lado e ajudar nossos patrícios no desforço que pretendem tomar desta corja, que nos oprime.
— Bem sei, Gil; nem vai aí nenhuma quebra de nossa amizade; é o destino que nos separa nesta fatal contingência.
— Sim; mas eu quero salvar-te a ti também, Maurício; corres mais perigo do que ninguém. Preocupado com os riscos, a que está exposta a tua amante, não reparas que a tua pessoa e a tua vida mesma não tem a menor segurança. Estás exposto a ser vítima de uns e de outros. Tu bem viste como, já não digo tanto os paulistas, mas essa gente feroz e turbulenta, que se uniu a nós, porque temos necessidade de seu auxílio, tu bem viste como já se acham indispostos e desconfiados contigo. Basta que levantes a voz para moderar seus impulsos sanguinários, para que logo ao grito de traição alcem-se sobre tua cabeça uma multidão de punhais. Por outro lado bem conheces o ódio implacável, que te vota Fernando, e as pérfidas ciladas, que continuamente te arma; embora te ponhas de parte, nem por isso deixarás de passar por um dos cabeças do motim. Já estiveste conosco na gruta de Irabussú; e se formos denunciados, ou mal sucedidos, não faltará quem ateste, que lá te viu. Demais as palavras altivas e independentes, que disseste ao capitão-mor, tornaram-te suspeito aos emboabas. Portanto meu caro Maurício, o único recurso, que te resta a meu ver, é fugir e fugir para bem longe.
— Fugir, eu?... replicou Maurício com vivacidade; fugir eu, e deixar Leonor exposta aos furores de uma horda selvática e sanguinária, e às mais horríveis calamidades!... Oh! nunca! nunca!... não me fales em fugir, meu caro Gil. Ficarei ali de sentinela, como um cão à porta de seu senhor, imóvel e de braços cruzados. Deixá-los-ei fazer o que quiserem, derramar a jorros o sangue do emboaba, e saciar à farta sua sede de vingança. Mas quando penetrarem na habitação de Leonor, me encontrarão à sua frente amparando-a com o meu corpo.
— Nada receies por tua amada, Maurício; tomarei a meu cargo protegê-la e ampará-la da ferocidade de nossa gente. Confia em mim; ela é inocente e eu farei por ela tudo, que tu mesmo farias. Demais ela é paulista, e todos nós paulistas não consentiremos, que se lhe toque em um só fio de seus cabelos.
— E o capitão-mor, Gil?...
— Ah!... por esse não posso responder; ele é homem e valente, e a sanha dos nossos contra ele é imensa e violenta... Se eu quiser poupá-lo, talvez se voltem contra mim, e então tudo estará perdido.
— Oh!... então o meu benfeitor está irremissivelmente condenado!... meu Deus! que golpe sobre o coração de Leonor! e eu terei podido salvá-la dessa terrível orfandade, e não o terei feito!..., e ela o saberá, porque o meu desaparecimento chamará sobre mim as mais bem fundadas suspeitas, e ela me atribuirá o assassinato de seu pai, e me odiará, me desprezará, me amaldiçoará... Oh! não, Gil; não devo fugir!... já que não podes defender também a vida do capitão-mor, ali ficarei eu de braços cruzados para defendê-lo...
— E lutarás contra teus amigos?...
— Oh!... isso é horrível!... não... mas...
— Pondera bem o que fazes, Maurício! Maurício sentou-se, pôs a cabeça entre as mãos, e ficou por largo tempo silencioso e mergulhado em profunda meditação.
— Está decidido! exclamou por fim levantando-se e com voz firme e resoluta.
— Para poder salvá-los o único recurso, que me fica, é declarar-me o seu mais encarniçado inimigo. Gil, serei dos vossos; hoje mesmo irei reunir-me rom- ' vosco na gruta de Irabussú, e de lá não voltarei senão com o punhal em uma das mãos, e o facho na outra. Serei o mais exaltado e feroz de entre todos; mas só exijo uma condição...
— Qual é? dize.
— Quero ser o chefe...
— Tu o serás.
— Afianças?...
— Afianço, por nossa amizade; serás o chefe.
— Pois bem!... eu não poderei lá me apresentar senão muito tarde; vai tu mais cedo, dize a Antônio que esteja tranquilo, e vê que aqueles bárbaros em sua impaciência não queiram sacrificá-lo. Depois da meia noite, às duas da madrugada ao mais tardar lá me acharei.
Leia gratuitamente Maurício ou Os Paulistas em São João del-Rei, romance histórico de Bernardo Guimarães publicado originalmente em 1877. Em dois volumes e 50 capítulos, a narrativa acompanha os conflitos entre paulistas e emboabas no início do século XVIII. Esta edição integral do Literunico foi restaurada a partir do fac-símile de 1877, conferida e normalizada em português brasileiro moderno para publicação no Aurora.
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