Últimos Sonetos: Presa do ódio Últimos Sonetos · Capítulo 3 de 96
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Últimos Sonetos: Presa do ódio

Presa do ódio

Da tu'alma na funda galeria

Descendo às vezes, eu às vezes sinto

Que como o mais feroz lobo faminto

Teu ódio baixo de alcatéia espia.

Do Desespero a noite cava e fria,

De boêmias vis o pérfido absinto

Pôs no teu ser um negro labirinto,

Desencadeou sinistra ventania.

Desencadeou a ventania rouca,

surda, tremenda, desvairada, louca,

Que a tu'alma abalou de lado a lado.

Que te infalamou de cóleras supremas

e deixou-te nas trágicas algemas

Do teu ódio sangrento acorrentado!

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