Últimos Sonetos: Vinho negro Últimos Sonetos · Capítulo 42 de 96
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Últimos Sonetos: Vinho negro

Vinho negro

O vinho negro do imortal pecado

Envenenou nossas humanas veias

Como fascinações de atras sereias

E um inferno sinistro e perfumado.

O sangue canta, o sol maravilhado

Do nosso corpo, em ondas fartas, cheias.

como que quer rasgar essas cadeias

Em que a carne o retém acorrentado.

E o sangue chama o vinho negro e quente

Do pecado letal, impenitente,

O vinho negro do pecado inquieto.

E tudo nesse vinho mais se apura,

Ganha outra graça, forma e formosura,

Grave beleza d'esplendor secreto.

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