Últimos Sonetos: Domus aurea Últimos Sonetos · Capítulo 57 de 96
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Últimos Sonetos: Domus aurea

Domus aurea

De bom amor e de bom fogo claro

Uma casa feliz se acaricia...

Basta-lhe luz e basta-lhe harmonia

Para ela não ficar ao desamaro.

O Sentimento, quando é nobre e raro,

Veste tudo de cândida poesia...

Um bem celestial dele irradia,

Um doce bem, que não é parco e avaro.

Um doce bem que se derrama em tudo,

Um segredo imortal, risonho e mudo,

Que nos leva debaixo da sua asa.

E os nossos olhos ficam rasos d'água

Quando, rebentos de uma oculta mágoa,

São nossos filhos todo o céu da casa.

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