Últimos Sonetos: Abrigo celeste Últimos Sonetos · Capítulo 29 de 96
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Últimos Sonetos: Abrigo celeste

Abrigo celeste

Estrela triste a refletir na lama,

Raio de luz a cintilar na poeira,

Tens a graça sutil e feiticeira,

A doçura das curvas e da chama.

Do teu olhar um fluido se derrama

De tão suave, cândida maneira

Que és a sagrada pomba alvissareira

Que para o Amor toda aminh'alma chama.

Meu ser anseia por teu doce apoio,

Nos outros seres só encontra joio

Mas só no teu todo o divino trigo.

Sou como um cego sem bordão de arrimo

Que do teu ser, tateando, me aproximo

Como de um céu de carinhoso abrigo.

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