Últimos Sonetos: Flor nirvanizada Últimos Sonetos · Capítulo 35 de 96
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Últimos Sonetos: Flor nirvanizada

Flor nirvanizada

Ó cegos corações, surdos ouvidos,

Bocas inúteis, sem clamor, fechadas,

Almas para os mistérios apagadas,

Sem segredos, sem eco e sem gemidos.

Consciências hirsutas de bandidos,

Vesgas, nefandas e desmanteladas,

Portas de ferro, com furor trancadas,

Dos ócios maus histéricos Vencidos.

Desenterrai-vos das sangrentas furnas

Sinistras, cabalísticas, noturnas

Onde ruge o Pecado caudaloso...

Fazei da Dor, do triste Gozo humano,

A Flor do Sentimento soberano,

A Flor nirvanizada de outro Gozo!

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