Últimos Sonetos: Fogos-fátuos Últimos Sonetos · Capítulo 39 de 96
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Últimos Sonetos: Fogos-fátuos

Fogos-fátuos

Há certas almas vãs, galvanizadas

De emoção, de pureza, de bondade,

Que como toda a azul imensidade

Chegam a ser de súbito estreladas.

E ficam como que transfiguradas

Por momentos, na vaga suavidade

De quem se eleva com serenidade

Às risonhas, celestes madrugadas.

Mas nada às vezes nelas corresponde

Ao sonho e ninguém sabe mais por onde

Anda essa falsa e fugitiva chama...

É que no fundo, na secreta essência,

Essas almas de triste decadência

São lama sempre e sempre serão lama.

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