Últimos Sonetos: Deus do Mal Últimos Sonetos · Capítulo 26 de 96
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Últimos Sonetos: Deus do Mal

Deus do Mal

Espírito do Mal, ó deus perverso

Que tantas almas dúbias acalentas,

Veneno tentador na luz disperso

Que a própria luz e a própria sombra tentas.

Símbolo atroz das culpas do Universo,

Espelho fiel das convulsões violentas

Do gasto coração no lodo imerso

Das tormentas vulcânicas, sangrentas.

Toda a tua sinistra trajetória

Tem um brilho de lágrima ilusória,

As melodias mórbidas do Inferno...

És Mal, mas sendo Mal és soluçante,

Sem a graça divina e consolante,

Réprobo estranho do Perdão eterno!

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